Leandro Donatti
De Curitiba
Os políticos do Paraná passaram o dia longe da movimentação de Brasília em torno da reforma ministerial. O único representante do Estado no governo Fernando Henrique, Rafael Greca (PFL), está de licença médica por 15 dias, desde anteontem. O ministro de Esportes e Turismo está internado por recomendação médica no Spa da Lapinha, na Lapa, Região Metropolitana de Curitiba, para perder peso.
Problemas na articulação de um dos joelhos estariam dificultando a movimentação do ministro, que está acima do peso. Greca acompanha a reforma ministerial a distância, por telefone. A chefe de gabinete do Ministério, a jornalista Tereza Castro, responde interinamente pelo cargo. Fontes ligadas a Greca sinalizavam ontem que o ministro está tranquilo quanto a sua permanência.
A festa dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob a coordenação de Greca, era apontada como um forte indicativo de sua permanência. Greca não teria pedido a interferência de ninguém, nem do governador Jaime Lerner (PFL), para manter-se como ministro, informou uma fonte ligada a Lerner no Palácio Iguaçu. Uma gripe de surpresa impediu o governador de viajar para Brasília, onde poderia trocar impressões com os aliados.
O diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, sempre lembrado para a coordenação política do governo, não aceitou o convite (ver nesta página). Ele ficou longe de Brasília. Scalco esteve reunido com a diretoria da Eletrobrás no Rio de Janeiro, tratando, oficialmente, de assuntos da hidrelétrica.
O senador Osmar Dias (PSDB), que sonha em ser ministro da Agricultura na vaga de Francisco Turra, também ficou fora do foco das discussões. Segundo a sua assessoria em Curitiba, está isolado em sua fazenda na região Oeste do Estado. O retorno de Osmar para Brasília está previsto somente para domingo. Em Curitiba, deve desembarcar até amanhã à noite.
A costura de sua indicação para um ministério está enfraquecida. O principal cabo eleitoral de Osmar Dias, seu irmão Alvaro Dias, está fora do Brasil, em Miami, de férias. O padrinho que restou a Osmar foi o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL). O deputado disse ontem que defende há muito tempo a sua indicação para o Ministério da Agricultura.
‘‘O presidente teve uma das mais expressivas votações no Paraná e ainda não reconheceu a necessidade de dar mais espaço ao Estado. Além do Rafael Greca, o governo federal tem espaço tranquilo para acomodar mais um’’, assinalou Aníbal. O deputado disse ainda que falou sobre o assunto meses atrás com o presidente do Senado, o senador baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL).
Até o vice-líder do governo na Câmara, Luiz Carlos Hauly, ficou à margem das costuras engendradas pelos aliados que dão sustentação política a FHC. Hauly desembarcou pela manhã no Paraná, de uma viagem a Taiwan. O deputado disse que não participou do processo de discussões e que passaria o resto do dia tentando inteirar-se das articulações.

mockup