PR faz dobradinhas esquisitas
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de agosto de 1998
Leandro Donatti 
O desespero por votos está levando boa parte dos candidatos às eleições do Paraná a fazer dobradinhas no mínimo esquisitas. A geléia geral atinge todos os partidos políticos. Siglas adversárias, divergências pessoais e diferenças ideológicas históricas são problemas perfeitamente superáveis na guerra por um mandato.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), ampliou o leque de aliados para conquistar seu nono mandato consecutivo como deputado. Eclético e com trânsito livre entre os partidos, Khury faz dobradinha neste ano com diversos candidatos adversários do governador Jaime Lerner (PFL), seu aliado político de maior peso.
Khury vai despejar pelos municípios de sua base eleitoral material de campanha (santinhos) em conjunto com os deputados federais do PMDB, Maurício Requião, Maurício Fruet e Moacir Micheleto. Maurício Requião é irmão do candidato ao governo, senador Roberto Requião. PMDB e PFL integram coligações adversárias.
No PT, as dobradinhas mais surpreendentes estão na própria sigla. Florisvaldo Rosinha Fier e Angelo Vanhoni estão fazendo campanha juntos. Rosinha concorre à Câmara Federal e Vanhoni à reeleição, na Assembléia Legislativa. O interessante é que ambos sempre caminharam por linhas opostas. Rosinha mais à esquerda e Vanhoni mais à direita.
A dobradinha Cheida-Seo Boneco também não dá liga. O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PT) decidiu apostar na combinação candidato-comportado com candidato-extravagante. Seo Boneco, como prefere ser chamado o candidato a deputado estadual Daniel Rocha de Oliveira, pede votos imitando um personagem criado por Chico Anysio.
As questões familiares falam mais alto que as partidárias. A família Pugliesi é um exemplo. Irondi e Waldyr Pugliesi fazem dobradinha em diversos municípios. Ela é candidata a Câmara Federal pelo PPB e ele a deputado estadual pelo PMDB. PPB e PMDB têm, oficialmente, candidatos diferentes ao governo do Estado.
Para evitar punições partidárias, tem dobradinhas são que firmadas informalmente, na base da não agressão. Candidato único à Câmara Federal por Campo Largo, município da Região Metropolitana de Curitiba, Jairez Caldante (PT) não critica Marcelo Puppi (PFL), que disputa com seu irmão Jurides Caldante (PDT) uma cadeira na Assembléia.
Não ataco nenhum dos dois, mesmo que um seja do PFL. Para quê? Tem muita gente que vota em nós dois, diz. É a vontade dos eleitores. Não dá para impedir. A questão ideológica está deixada de lado. Sou defensor do voto distrital e para me eleger não posso abrir mão do maior número de apoios possível, considera Jairez.


