O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, garante que o governo vai encaminhar para o Banco Central, no início da semana que vem, os documentos que faltam para a reanálise dos pareceres oferecidos aos pedidos do Paraná na contratação de operações de créditos externos. ‘‘Estamos trabalhando para reunir a papelada que vai para Brasília e isso não é tão fácil’’, confessa o secretário referindo-se à lista de exigências do BC, que não tem poderes para liberar os empréstimos bloqueados na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado).
O Departamento da Dívida Pública quer que o Paraná mande, entre outros documentos, os balancetes mensais referentes a janeiro, fevereiro, março e abril deste ano; o demonstrativo dos valores pagos e a pagar referentes às dívidas interna e externa; as certidões do Tribunal de Contas referente ao exercício de 96; e a que comprova a regularidade do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). O requerimento do BC, tornado público pelo senador Osmar Dias (PSDB), foi datado em 22 de maio deste ano e o secretário da Fazenda na época era o atual do Planejamento, Miguel Salomão.
O secretário admite que não entregou os documentos. Mas argumenta que dez dias antes, em 12 de maio, o BC comunicava ao Paraná que ‘‘tudo estava ok’’. ‘‘Estamos diante de uma situação de deboche. Falta à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) assumir que o bloqueio de nossos empréstimos tornou-se uma questão meramente política’’, critica.
O senador Esperidião Amin (PPB-SC) voltou a ‘atirar’ contra o governo do Estado na ‘guerra’ pela liberação dos pedidos de empréstimos externos feitos pelo Paraná. ‘‘Tenho o maior respeito pelo Paraná, mas a recíproca tem de ser verdadeira’’, declarou o senador demonstrando um descontentamento com o trabalho de pressão feito pelo staff do governador Jaime Lerner junto ao Senado Federal.
Amin disse à Folha que o governador Jaime Lerner tem que responder as diligências feitas pelo Banco Central e pela CAE e ‘‘parar de fazer manobras, como àquela da caravana’’, onde o tiro acabou saindo pela culatra. Ao invés da liberação, A CAE devolveu os empréstimos do Paraná para o Ministério da Fazenda.
O senador catarinense também reagiu às acusações de que estaria agindo como um ‘testa-de-ferro’ dos senadores do Paraná Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB). ‘‘A CAE pediu as informações ao Paraná em dezembro do ano passado, quando eu estava de licença. A devolução foi um ato legal e necessário’’, justifica Amin.
O ataque de Amin a Lerner teria uma conotação eleitoral. O senador, que é presidente nacional do PPB, estaria disposto a forçar a sigla no Estado a desgarrar-se do grupo político do governador. Na última quinta-feira, quando anunciou a substituição de Borges da Silveira por José Janene, Amin foi bem claro ao defender o lançamento de uma candidatura própria ao governo no Paraná.
A outra leitura que se faz é que o senador simpatizaria mais com uma aliança com o grupo do PMDB, do senador Roberto Requião. Janene, que vive um momento de aproximação com Requião, seria uma ponte em todo esse processo, que teria como principal obstáculo a bancada estadual governista do PPB.

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