Patrícia Zanin
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), disse ontem, em Londrina, que Paraná e São Paulo são os dois Estados onde o partido mais cresce. Freire esteve na cidade para proferir uma palestra sobre ‘‘Conjuntura política’’ na Unopar (Universidade Norte do Paraná) e receber homenagem no ‘‘Clube dos 21 Irmãos e Amigos’’. ‘‘Aqui no Paraná o crescimento do partido está uma coisa gostosa de se ver’’, disse Freire, que visitou a Folha. Ele atribui a ampliação do PPS a dois fatores: à visibilidade obtida pelo ex-ministro Ciro Gomes em sua candidatura à presidência, no ano passado, e ao trabalho do comando regional, nas mãos do deputado federal Rubens Bueno desde março.
Segundo Bueno, que acompanhou Freire a Londrina, o PPS tem 104 comissões provisórias no Estado e outros 195 pedidos em análise. Além do fortalecimento da sigla para 2000, o partido aposta na candidatura de Ciro para presidente em 2002. E quer engrossar a fileira de candidatos ao governo. No Paraná, o senador disse que o partido está se preparando para isso com Rubens Bueno. ‘‘Temos um projeto nacional e é necessário que os estados estejam bem representados’’, argumentou.
No ano passado, Ciro Gomes foi o terceiro em votação no Paraná - 400 mil votos, o equivalente a 9,53%; contra 2,4 milhões de Fernando Henrique Cardoso (59,25% dos votos) e 1,1 milhão de Luiz Inácio Lula da Silva (27,7%).
Os planos de crescimento do partido, porém, podem ficar prejudicados pela reforma política proposta pelo PSDB, PFL e PMDB. Freire acusou os tucanos de estarem fazendo ‘‘terrorismo’’ ao querer limitar a atuação dos partidos pequenos. ‘‘Eles estão com medo de ser superados pelo novo e querem nos engessar’’, criticou. Freire acha que o debate tem foco na disputa para a presidência. ‘‘Não sei se a situação terá candidato porque não sei se ela terá projeto’’, cutucou.
A proposta do PPS é acabar com a obrigatoriedade da filiação partidária, do domicílio eleitoral, e garantir a candidatura avulsa. ‘‘Vai ser mais difícil não ter um partido por trás, mas se o povo quiser e der voto é o que vale. Isso é democracia’’, afirmou. O senador lembrou que nos Estados Unidos, por exemplo, isso é possível. Ele admitiu que será difícil aprovar sua proposta no Congresso. ‘‘Mas na sociedade, não tenha dúvida, haverá apoio. E se ela entender que é preciso um sistema político mais democrático, ela que brigue por isso’’.
CPIO senador é responsável pela avaliação de todos os documentos das contas CC-5, que permitem a remessa de dinheiro para o exterior. Ele recebeu farta documentação do procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três, que depôs na CPI dos Bancos e descobriu que R$ 111 bilhões deixaram o País pelas CC-5 - mais da metade através de remessas feitas por ‘‘laranjas’’. Freire adiantou que vai propor controle para entrada e saída de capitais e estuda o modelo chileno, no qual os recursos para investimento especulativo passam por quarentena. ‘‘O Brasil é um País com uma das maiores lavanderias de dinheiro sujo, e o Paraná uma das maiores portas de saída desse dinheiro’’.
Na opinião de Freire, o Brasil ‘‘permitiu tudo’’. ‘‘Não é acabar com as CC-5, mas limitar seu uso’’, defendeu. Para ele, há uma grave distorção em não permitir que a Receita Federal tenha acesso a essas contas. ‘‘Como é que vai haver controle assim?’’, questionou.Presidente nacional do partido diz em Londrina que os dois Estados são os que mais têm formado comissões provisórias
Milton DóriaLequeRoberto Freire: ‘‘Temos um projeto nacional, com Ciro Gomes, e é necessário que os Estados estejam bem representados’’

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