Curitiba - O Paraná foi apontado ontem pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o desmanche como sendo um dos principais focos de roubo e de clonagem de veículos do País. O esquema envolveria quadrilhas especializadas que atuam com ramificação em vários estados brasileiros. Os carros seriam roubados no Paraná e em Santa Catarina e desmanchados em oficinas dos dois estados. Entretanto, os documentos seriam preferencialmente esquentados em leilões de veículos ''salvados'' (ou seja, carros batidos com perda total e que são vendidos pelas seguradoras) nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio de Janeiro.
Um dos exemplos mais fortes apresentados durante a passagem da CPMI pelo Paraná foi a do advogado Magnus Camiski, da Transportadora Vantroba de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Em 2003, foram roubados seis caminhões da empresa. Foram encontradas partes de três deles em oficinas de desmanches de Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), Araranguá (SC) e Santos (SP). ''Nos casos em que vivemos na transportadora pudemos verificar três situações distintas: o roubo propriamente dito, as peças que são desmanchadas e vendidas para a composição de carros clonados que são esquentados em leilões públicos e a corrupção ou burocracia da polícia'', apontou Camiski.
Os caminhões são roubados sem carga e na estrada. ''Os assaltantes esperam a redução dos caminhões em lombadas e pulam na cabine. Imediatamente, eles rendem o motorista e vendem os caminhões para desmanches. Ao que tudo indica, os desmanches de caminhões são todos interligados. Um acoberta o outro e ninguém é preso'', pontuou o advogado, durante depoimento à CPMI. Outro depoimento considerado importante foi o do secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, que revelou o crescimento do roubo de veículos no Paraná e enfatizou que está empenhado em incrementar a fiscalização em estabelecimentos que comercializam peças usadas.
Em 2003 foram registradas 1,5 mil ocorrências de roubos e furtos de veículos, 25% a mais do que o ano anterior. Em 2002 foram fiscalizadas 880 lojas e em 2003, 1,2 mil. Em um ano foram fechados 60 desmanches que negociavam peças roubadas. Na última semana, foi realizada uma operação conjunta em 14 municípios da região de Guaíra que resultou na prisão de 40 pessoas, sendo sete policiais. Outras sete pessoas, que também tinham mandado de prisão, estão foragidas.
Apesar do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) não autorizar a venda de carros salvados em leilões públicos com documentação, a prática, segundo denúncias na CPMI, é constante. O deputado federal do Paraná, Hidekazu Takayama (PMDB), relator da comissão, acredita que possa estar havendo conivência de funcionários públicos do Detran em leilões de carros salvados no Paraná para esquentar documentos. ''A prática existe. Pode estar havendo conivência também de funcionários. É isto que precisa ser investigado.''

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