Edinelson Alves
De Rolândia
Especial para a Folha
As investigações no Paraná vão ser prioridade no trabalho da CPI Nacional do Narcotráfico, a partir do próximo mês, quando terminar o recesso parlamentar. A afirmação foi feita pelo deputado Moroni Torgan (PFL-CE), relator da comissão, na edição de ontem do ‘‘Jornal de Brasília’’. ‘‘Para mim, agora, o Paraná é o primeiro da lista. No Paraná a gente pode desatar o nó das investigações’’, afirmou o parlamentar.
Torgan (foto) acredita que aqui poderá ocorrer o fechamento da conexão que vinculará, conforme denúncias do motorista Jorge Meres, diretamente as ações do deputado federal Augusto Farias (PPB-AL), irmão de PC, do empresário William Sozza (foragido) e dos deputados cassados e presos Hildebrando Pascoal e José Gerardo, apontados como mandantes da organização. O objetivo da CPI é encontrar provas que possam ligar esses quatro nomes, já que Meres garante que o crime organizado vinculado a esse grupo atua em 14 Estados.
Torgan não quis adiantar nomes, mas comentou que a CPI, após quebra de sigilo telefônico e outras informações recentes deverá ouvir paranaenses ligados ao alto escalão do governo. As casas de câmbio, os bingos e a atuação de quadrilhas de roubo de cargas e narcotráfico estão sendo monitoradas pela Polícia Federal e integrantes da CPI. Ele diz que analisa inclusive documentos ligados à máfia italiana, enviados a ele pelo Ministério Público.
Segundo o jornal brasiliense, ‘‘policiais civis e membros do governo estão passando por um pente fino. Uma das revelações feitas à CPI que aponta para o envolvimento direto de policiais no narcotráfico é a apreensão pouca quantidade de cocaína em dois anos de atuação da Polícia Civil, mesmo sendo o Paraná considerado uma das principais rotas utilizadas por traficantes no País’’.
A fronteira do Brasil com países do Cone Sul, através do Paraná, e principalmente as ligações do crime organizado com o Paraguai podem trazer revelações surpreendentes à CPI. Foz do Iguaçu é apontado pela CPI como uma espécie de centro da lavagem de dinheiro no País. Desde 1996, quando cinco bancos em Foz foram autorizados a não identificar os depósitos em CC-5 acima de R$ 10 mil abriu uma perigosa exceção vinculada diretamente as transações com a Ciudad del Este, no Paraguai.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda, pediu o fim da regalia. Além do Coaf, o Banco Central criou o seu Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros. O órgão acompanha 200 casos relacionados à suspeita de lavagem exclusivamente em transações bancárias, enquanto o Coaf se dedica às demais operações suspeitas, como as detectadas em negócios imobiliários e em empresas de factoring, especializadas em comprar créditos futuros de outras empresas, em geral na forma de cheques pré-datados. A CPI espera que, com uma profunda investigação nas casas de câmbio, poderá bloquear a fonte de renda das organizações criminosas.