PR é alvo de operação que apura fraude de R$ 60 milhões em licitações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 

Curitiba - A PF (Polícia Federal), em cooperação com o MPF (Ministério Público Federal) e A CGU (Controladoria Geral da União), deflagrou nessa quinta-feira (30), no Paraná, em São Paulo e em Santa Catarina, a Operação Epagoge, destinada a apurar fraudes de mais de R$ 60 milhões em licitações com o governo federal. Epagoge significa, em grego, induzir alguém.
Cerca de 75 policiais federais e seis auditores da CGU cumpriram, ao longo do dia, 22 mandados de busca e apreensão, nas cidades de Curitiba (PR), Piraquara (PR), Guaratuba (PR), Balneário Camboriú (SC) e na capital paulista. Os nomes dos alvos não foram informados. Os agentes também apreenderam seis veículos, celulares e mídias (notebooks e HD’s).
Conforme a PF, a investigação teve início em 2015, a partir da suspeita de que empresas de um mesmo grupo estariam atuando mediante ajuste e prejudicando a concorrência em licitações promovidas pelo poder público, principalmente para a compra de eletrônicos.
O inquérito policial identificou que algumas das pessoas jurídicas investigadas funcionavam no mesmo endereço e pertenciam aos mesmos proprietários. A suspeita é de que empresas fictícias, laranjas, atuavam candidatando-se simultaneamente no mesmo certame, a fim de viabilizar que uma delas se sagrasse vencedora, com possibilidade de manipular os preços.
Segundo o MPF, as empresas participaram simultaneamente de 6.677 processos de licitação eletrônicos com o poder público em todo o país. Dados da CGU indicam que, de 2010 a 2019, as integrantes do grupo firmaram os contratos que ultrapassam R$ 60 milhões, decorrentes apenas de compras eletronicamente registradas.
Os trabalhos da CGU e da assessoria do MPF tentam a partir de agora identificar aquisições que se processaram por meio de pedidos físicos de cotações diretamente solicitadas aos fornecedores, indicando que o montante fraudado seja ainda maior.


