Patrícia Zanin
De Londrina
Setores representativos do Paraná vêem com cautela a proposta de criação do Fundo de Combate à Pobreza apresentada pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que integra a Confederação Nacional da Indústria (CNI), não concorda com a criação de novos impostos, prevista no projeto de ACM. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também questiona a possibilidade de novos tributos. E a Federação das Associações de Municípios do Paraná (Femupar) não aceita mais perdas que decorreriam da criação do Fundo de Combate à Pobreza, já que parte de sua composição seria garantida com a retenção de 1% do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRF) destinado aos municípios.
O presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, diz achar oportuno o debate sobre as desigualdades sociais no País e sobre formas para reduzir a miséria dos brasileiros. ‘‘Mas somos contra a criação de qualquer tributo, seja a qualquer título’’ - ressalva. Estamos propondo na reforma tributária a redução do número de impostos e não o aumento’’. Carvalhinho lembra que o Brasil é o País com maior número de tributos no mundo - são 56. ‘‘Empresários e a sociedade não aguentam mais impostos.’’ O dirigente defende uma redistribuição orçamentária e a colocação de ‘‘ordem de prioridade’’ nas questões sociais.
O presidente da Femupar e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB), disse avaliar com preocupação a criação do Fundo. ‘‘A discussão para combater a pobreza é louvável, mas entendemos que os municípios não podem, em hipótese alguma, ceder recursos constitucionais para criação de novos fundos’’.
Na opinião de Garcia, o combate à pobreza brasileira só será feito com um programa do governo federal eficiente em termos de geração de emprego no campo, no comércio, na indústria e no setor de prestação de serviço. ‘‘É necessária uma reforma fiscal e tributária capaz de proporcionar alternativas para geração de empregos no País’’.
Para líderes paranaenses da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), toda alternativa para resolver o problema da pobreza no Brasil é bem-vinda, mas a entidade questiona como deverá ser a aplicação do recurso. ‘‘Será que o recurso vai mesmo ser aplicado contra a pobreza ou desviado, como a CPMF?’’, questiona o secretário-geral da CNBB no Paraná, padre Carlos Alberto Chiquim, referindo-se ao imposto do cheque.
Além dessa ressalva, a CNBB igualmente diz questionar a criação de novos impostos, prevista na proposta de ACM. ‘‘Somos a favor da distribuição de renda, mas questionamos a criação de impostos. Se houvesse um combate à sonegação não precisaria ser criado outro tributo’’, defende Chiquim.

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