PR deve ter relação administrativa com sucessor de Lula
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domingo, 31 de outubro de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Paraná deverá ter uma ''relação administrativa'' com o governo federal, independente de quem sair vitorioso hoje da corrida à Presidência da República, se Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). A opinião é do cientista político Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná. Para ele, no Brasil, ainda predomina a chamada ''política dos governadores'', que, na prática, significa que a relação ''deve ser boa''. ''Oposição ao presidente não existe. O governador é subordinado ao presidente, pois se trata de uma relação entre União e Estado. Nenhum governador fez oposição ao governo Lula. Não houve oposição aberta e raivosa'', afirmou ele.
As reivindicações do Estado, continua Oliveira, devem ser encabeçadas pela bancada dos deputados federais paranaenses e pelos senadores do Estado. ''Todos os nomes do Senado são de oposição ao Beto Richa, mas os senadores devem cooperar, trabalhar junto'', afirma ele, em referência aos agora eleitos Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB), e também a Alvaro Dias, que, embora do PSDB, anda com as ligações rompidas com as lideranças tucanas locais.
Historicamente, lembra Oliveira, a bancada de deputados federais paranaenses também ''não é unida'', cenário que não deve mudar em 2011, mesmo com a troca de parte das cadeiras. ''O Paraná, até por estar entre os Estados mais ricos, historicamente não atua em bloco, como Estados mais pobres, que costumam se unir. Por um lado é ruim para o Paraná, porque eles ficam voltados para seus interesses'', opinou ele, acrescentando que, por outro lado, a autonomia dos parlamentares pode fazer com que eles se destaquem individualmente. ''O Abelardo Lupion, por exemplo, se tornou líder da bancada ruralista'', comentou ele.
Dependendo de quem ganhe hoje nas urnas, lideranças estaduais também podem ganhar ou perder espaço na esfera federal. Numa eventual vitória do PT, Osmar Dias (PDT), candidato derrotado ao governo do Estado, e o atual governador, Orlando Pessuti (PMDB), que abriu mão da sua candidatura à reeleição para viabilizar uma aliança em torno do pedetista, podem ter algum cargo no primeiro escalão do governo federal. Os paranaenses e petistas Paulo Bernardo, Márcia Lopes, Gilberto Carvalho e Jorge Samek, que hoje ocupam postos na gestão Lula, devem permanecer numa eventual vitória.
Na hipótese dos tucanos saírem vitoriosos, o presidenciável José Serra pode nomear o deputado federal Gustavo Fruet, que não conseguiu se eleger ao Senado, para um cargo no primeiro escalão. O senador Alvaro Dias também é cotado para um cargo no primeiro escalão, embora sua atuação no Congresso Nacional possa ser priorizada pelos correligionários.


