Leandro Donatti
De Curitiba
O Paraná deve manter a sua cota na reforma ministerial a ser anunciada hoje pelo presidente Fernando Henrique. O Estado provavelmente continuará sendo representado por apenas um ministro, Rafael Greca de Macedo (PFL), na pasta de Esportes e Turismo. Mais uma vez as expectativas em aumentar a participação paranaense com a incorporação do diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Euclides Scalco (sem partido), na equipe, devem sair frustradas. Não havia indícios ontem de que Scalco assumiria a coordenação política do governo federal.
O diretor brasileiro da Binacional chegou por volta das 18 horas em Foz do Iguaçu. Passou o restante do dia em Curitiba, despachando assuntos de interesse da hidrelétrica. Scalco foi procurado por jornalistas o dia inteiro. Essa não é a primeira vez que o seu nome é cotado para a função. Scalco foi por um período articulador político do presidente. Em meados do ano passado, ele assumiu a coordenação geral da campanha do presidente Fernando Henrique, na busca pela recondução de mandato.
Scalco encerrou a sua participação no governo logo após a campanha. Reassumiu o comando brasileiro da Itaipu, cargo no qual se mantém ininterruptamente até hoje. No dia 21 de dezembro, Euclides Scalco foi chamado para conversar com o presidente em Brasília. Scalco declinou do convite do presidente, alegando problemas de ordem pessoal. Assim como Scalco, o ex-governador e ex-senador José Richa (sem partido) também é um nome sempre cogitado para funções estratégicas quando o tema é reforma ministerial.
Scalco e Richa são aliados do presidente de longa data. Eram colegas de partido no PSDB. Scalco desfiliou-se primeiro, por conta da mudança de rumos no partido, com a filiação do senador Alvaro Dias. Richa deixou o ninho um pouco mais tarde, irritado com o movimentação de Alvaro para barrar em maio de 1997 a filiação do governador Jaime Lerner no PSDB. Richa pediu o cancelamento de sua ficha de filiação alegando desencanto total com a política.
A manutenção da cota de um ministro como representante do Paraná já era esperada. Ao contrário do final do ano passado, quando PSDB e PFL locais se digladiaram em busca de espaço de destaque na equipe de Fernando Henrique, desta vez as lideranças políticas do Estado ficaram recolhidas. Confiante, Rafael Greca acompanhou os desdobramento em torno da sua permanência pelo telefone, no Spa da Lapinha, onde ficará internado por 15 dias para perder peso. Greca foi nomeado ministro no dia 23 de dezembro do ano passado. Eleito deputado federal, assumiu em janeiro o gabinete de Pelé.
A nomeação de Greca nasceu de uma articulação política do PFL, aliado do PSDB no governo federal. O governador Jaime Lerner teve um peso preponderante na indicação. Além de governador do PFL, Lerner reelegeu-se por um dos Estados que mais deu apoio à recondução de Fernando Henrique. Aliados do presidente mas adversários entre si, PFL e PSDB brigaram por um ministério. Os tucanos fracassaram na missão de emplacar Alvaro Dias como ministro. Nesta reforma, as atenções voltaram-se para o irmão de Alvaro, o senador Osmar Dias, que deve perder espaço para Marcos Vinicius Pratini de Moraes, indicado para a Agricultura.Tendência é a confirmação de Greca no Esporte, único representante do Estado no primeiro escalão do presidente Fernando Henrique
Arquivo FolhaDE NOVOScalco: mais uma vez cotado para um ministério, mas sem interesse no cargo, foi assediado por jornalistas o dia todo

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