Leandro Donatti
De Curitiba
A Assembléia Legislativa do Paraná aprovou ontem, em Curitiba, a criação de uma comissão de apoio à CPI do Narcotráfico para investigar a rota da droga no Estado. A Comissão Parlamentar Especial será integrada por sete deputados estaduais, que serão nomeados hoje pelo presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB). Os deputados avalizaram ainda requerimento solicitando a presença de integrantes da CPI para que os mesmos façam, na Assembléia, um relato sobre a participação do Paraná no crime organizado.
A idéia de se criar um braço da CPI do Narcotráfico no Paraná e de chamar um representante para esmiuçar o envolvimento do Estado partiu da oposição. O deputado estadual Ângelo Vanhoni (PT) apresentou os dois requerimentos, aprovados por unanimidade. O comportamento dos deputados governistas foi interpretado pela oposição como uma compensação pelo extravio do ofício da CPI do Narcotráfico, que, há dois meses, já havia pedido a instalação de uma microcomissão semelhante, para combater e investigar o tráfico de drogas.
Nelson Justus voltou a afirmar ontem em plenário que nunca recebeu o documentos de alerta, remetido pela secretaria da CPI do Narcotráfico através dos Correios, em setembro passado. ‘‘Eu tenho certeza disso. Nada chegou ao meu conhecimento’’, ressaltou. O presidente da Assembléia ficou mais intrigado ainda ao saber que a secretaria da CPI endereçou o ofício para Aníbal Khury (PFL), que na época já estava sepultado. O deputado morreu de falência geral dos órgãos no dia 30 de agosto passado.
‘‘Pai’’ da proposta, Ângelo Vanhoni disse que o principal papel da Comissão Parlamentar Especial será o de alimentar a CPI do Narcotráfico com informações sobre o tráfico de drogas no Estado. ‘‘Vamos nos colocar à disposição da CPI para ouvir, convocar e buscar testemunhas. Como também levantaremos indícios que nos levam a crer que o Paraná está envolvido na rota’’, disse. Segundo Vanhoni, já chega a 17 o número de pessoas que a CPI do Narcotráfico pretende ouvir, quando as investigações começarem no Estado.
A idéia da criação de uma comissão de apoio à CPI para apurar o envolvimento do Paraná no crime organizado foi amadurecida no final de semana. Os deputados de oposição se viram atropelados com as informações veiculadas na imprensa e que revelam conexões no Estado. ‘‘Soube pelos jornais que o traficante mais procurado do País, o Fernandinho Beira-Mar tinha contatos em Curitiba. E a Polícia Civil do Paraná, o que está fazendo para apurar essas graves denúncias?’’, questionou o petista, durante discurso.
‘‘O noticiário sobre as investigações da CPI estão eivados de informações sobre a atuação dos narcotraficantes no território paranaense, inclusive de conexão com o Cartel de Cali, lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas eleitorais com recursos oriundos dessa prática criminosa’’, argumenta Vanhoni.

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