Patrícia Zanin
De Londrina
Novecentas audiências canceladas que devem prejudicar cerca de 5 mil pessoas entre advogados, testemunhas e partes, atraso previsto de 100 dias para o andamento dos processos, 62 juntas paradas em todo o Paraná e 140 juízes do trabalho de braços cruzados. A previsão do que deve ser a paralisação no Estado foi antecipada ontem à Folha pela juíza do trabalho de Londrina Neide Akiko Fugivala Pedroso. Segundo o presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná (Amatra), Reginaldo Melhado, a paralisação de hoje também terá o apoio dos 50 juízes federais e dos 435 estaduais.
‘‘Ouvíamos que uma paralisação dos juízes do trabalho não significaria nada porque os processos estão praticamente parados, mas queremos mostrar que esse movimento atinge muitas pessoas’’, explicou Melhado. Segundo ele, os juízes querem ainda alertar para uma eventual paralisação mais longa que pode ser deflagrada no próximo ano. ‘‘Estamos tentando evitar, mas, mais dia, menos dia, pode ser irreversível, causando transtornos e prejuízos terríveis’’. O prazo-limite fixado pelos juízes para tentar garantir reajuste salarial e evitar o que os magistrados chamam de reforma para debilitar o poder do Judiciário é 31 de dezembro.
Segundo ele, o enfraquecimento do Judiciário está resguardado na proposta neoliberal, de restrição da autonomia. ‘‘Queremos reforma, mas que consolidade independência, democracia e cidadania. Os juízes vêm sendo atacados, humilhados publicamente’’. De acordo com Melhado, os poucos casos de corrupção existem e devem ser apurados.
Em relação a salários, ele disse que a situação chegou ‘‘ao ponto do limite’’. Os juízes estão sem reajuste há cinco anos e a categoria, segundo Melhado, recebe, em início de carreira, R$ 5,2 mil brutos, enquanto um agente da Polícia Federal recebe R$ 5,8 mil e um delegado da PF R$ 8,7 mil. A defasagem salarial fez a Amatra conseguir reajuste de 100% nos salários dos juízes do trabalho, mas o aumento foi suspenso pelo Tribunal Superior do Trabalho. ‘‘Adotamos medidas extravagantes para chamar atenção’’, argumentou.
Em Curitiba, os juízes vão fazer uma concentração às 13h30 em frente ao Fórum Cível e em Londrina, o ato será às 10 horas, no Tribunal do Júri.

mockup