Os juízes do Paraná iniciam hoje a sua participação na Semana de Mobilização Nacional pela Cidadania e Justiça. O movimento, encabeçado pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) para resgatar a imagem do Poder Judiciário - alvo de críticas do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - vai movimentar durante seis dias os cerca de 600 magistrados paranaenses em todo o Estado.
A instalação da semana está prevista para logo mais, às 9 horas, no 10º andar do Palácio da Justiça, em Curitiba. O presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (AMP), Ruy Fernando de Oliveira (foto), abre o evento. Ontem, ele fez balanço da Justiça no Estado e respondeu as críticas feitas pelo senador baiano contra os magistrados. ‘‘O ACM não está tendo uma atitude patriótica ao atacar o Judiciário’’, declarou.
Para o presidente da AMP, o senador está tentando retaliar os magistrados. ‘‘Ele está misturando as coisas. Somos favoráveis à reforma do Judiciário. Mas contra as ameaças veladas que ele tem feito’’, disse, referindo-se às declarações de ACM dando conta que a proposta de indexação salarial defendida por setores da magistratura apressaria o processo de extinção da Justiça do Trabalho.
Oliveira disse que nos próximos seis dias, os juízes paranaenses estarão em caráter permanente de discussões sobre o setor, em suas comarcas. Nesse período, serão promovidos debates com a OAB, deputados e juízes. ‘‘Estamos querendo melhorar’’, ressaltou ele. ‘‘Mas o que precisa ficar bem claro é que a morosidade não é só nossa’’, observou. ‘‘O novo Código Civil brasileiro está emperrado no Congresso desde 75’’. O dirigente observou também que o anteprojeto que prevê mudanças no Código de Organização e Divisão Judiciárias do Paraná aguarda votação na Assembléia há pelo menos quatro anos.
Ruy de Oliveira confia no empenho dos deputados em torno da reforma. A AMP já manifestou ser contra o controle externo do Judiciário, o nepotismo (emprego de parentes) e o número excessivo de recursos judiciais. ‘‘No Paraná, o nepotismo existe, assim como em qualquer um dos três poderes. Somos contra’’.
O diretor de comunicação da Associação dos Magistrados do Brasil, Roberto Portugal Bacellar, acompanhou a entrevista de Oliveira. Segundo Bacellar, um dos pontos positivos que deve ser tratado na reforma diz respeito aos juizados especiais, que agora serão instalados em nome da União. ‘‘Desde 97, esse tipo de Justiça funciona no Paraná. Houve um desafogamento das varas e hoje 65% das causas estão concentradas nessa modalidade de Justiça Especial’’.

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