Arquivo FolhaRedeCiro: ‘‘Lógica federal’’ garante acordos para ampliação do espaço do candidato do PPS à PresidênciaSem candidaturas próprias de peso para ancorar a sua chapa nacional, o PPS dividiu seu apoio nos estados quase igualmente entre candidatos a governador alinhados com o presidente Fernando Henrique Cardoso ou com o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Em 12 disputas locais, o partido aderiu a coligações comandadas por postulantes favoráveis ao Planalto e em 11 sustenta alianças que apóiam o petista. Os acordos foram condicionados a espaço para divulgar o seu candidato à Presidência, Ciro Gomes.
‘‘A lógica da campanha é federal’’, diz Ciro, que não acha que vá ser prejudicado por essas alianças, apesar de disputar uma eleição ‘‘casada’’ (com candidatos a governador e presidente). Segundo ele, sua candidatura tem ‘‘muitos palanques locais’’, integrados pelas alianças regionais. Só no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul o PPS tem candidatos próprios a governador. Em Roraima, o partido não apóia ninguém. Em Minas Gerais, está com Itamar Franco (PMDB), cuja posição nacional ainda é oficialmente desconhecida.
Segundo o presidente do PPS do Rio, deputado Sérgio Arouca, a heterogeneidade de aliados estaduais acontece porque o partido avaliou que somente com estas coligações conseguiria eleger deputados. Os ex-comunistas acham que podem dobrar sua bancada na Câmara - atualmente com sete parlamentares - e sonham eleger pelo menos três senadores. Arouca admite, porém, que as alianças locais podem confundir o eleitorado. ‘‘Não temos avaliação ainda sobre como o eleitor vai reagir a isso’’, afirma o parlamentar. ‘‘Esta é uma eleição muito confusa.’’
A política de alianças do partido gerou uma constelação de apoios locais nacionalmente contraditórios. Em São Paulo, o PPS alinhou-se à esquerda: apóia Marta Suplicy (PT), com PC do B, PCB e PMN. No vizinho Paraná, os ex-comunistas ficaram do lado oposto, na aliança comandada pelo governador Jaime Lerner (PFL), candidato à reeleição, com o apoio do PTB, PSB, PL, PTN, PSC, PTN, PT do B, PRP, PSL e PST. A diversidade vai de Jorge Viana (PT, PSB, PC do B, PSDB, PTB, PT do B, Prona, PL, PSL, PV e PMN) no Acre a Albano Franco (PSDB, PMDB, PL, PSC, PV, PPB e PMN) em Sergipe.
O PPS está oficialmente com partidos pró-Fernando Henrique em Sergipe, Paraná, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Tocantins e Rio Grande do Norte. O partido apóia coligações pró-Lula em Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Piauí e Santa Catarina, além de São Paulo e Acre. O mais curioso é que o PPS critica as coligações nacionais pró-Fernando Henrique e pró-Lula - que sustenta na maioria dos estados.
‘‘O sistema político partidário brasileiro está esgotado’’, diz a candidata do PPS ao governo do Rio, deputada estadual Lúcia Souto. ‘‘Há uma pluralidade de combinações não só no nosso ângulo, mas de todos os partidos.’’ Segundo a parlamentar, o País vive um ‘‘processo constituinte de uma nova formação política, menos hierarquizada’’ que a atual. A deputada diz que as alianças nacionais que apóiam Fernando Henrique e Lula são marcadas por contradições internas irremediáveis.

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