Curitiba - Depois de perder mais um prefeito para o PMDB, o PPS divulgou anteontem uma nota de repúdio ao que chama de assédio e cooptação de prefeitos pelo partido do governador Roberto Requião (PMDB). O PPS afirmou que vai dissolver todos os diretórios dos municípios nos quais os prefeitos mudaram de partido e desfiliar todos os membros destes diretórios. O último prefeito do PPS a aderir ao PMDB foi de Janiópolis (41 km a oeste de Campo Mourão), Jair Januário Detófol. Ele, mais os prefeitos de Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana), Hermes Wicthoff (ex-PTB), de Xambrê (22 km a oeste de Umuarama), Rodrigo Ziliotto (ex-PL), e de Salto do Itararé (120 km ao sul de Jacarezinho), Selmo Alberto de Carvalho (ex-PSDB), tiveram a ficha de filiação assinada pelo governador na segunda-feira.
''O jogo praticado pelo PMDB e pelos prefeitos que o aderem não passa de prostituição política, pura e simples'', afirma a nota do PPS. O presidente do partido no Paraná, Rubens Bueno, compara o que chama de cooptação de prefeitos ao mensalão denunciado na Câmara dos Deputados, já que acusa os prefeitos de se filiarem ao partido do governador em troca de verbas e obras eleitoreiras. ''A diferença é que aqui é empreitada para projeto eleitoral'', reclamou.
O Palácio Iguçu não deixou o PPS sem resposta. O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, rebateu as acusações do PPS com outra nota oficial. Quintana considerou os termos usados pelo PSS ''injustos, pouco educados e descolados da realidade''. Ele ainda provocou, dizendo que o PPS faz parte do governo e tem cargos na administração pública.
Em junho o PPS já havia perdido para o PMDB as prefeitas de Farol (25 km a oeste de Campo Mourão), Dina Cardoso, e de São Pedro do Ivaí (62 km ao sul de Apucarana), Cristiane Zulian. Em função disso, os deputados do partido Marcos Isfer e Ratinho Júnior ameaçaram, em discurso no plenário da Assembléia Legislativa no último dia 27, retirar o apoio ao governo nos projetos discutidos na Casa.
O PPS está dissolvendo e desfiliando as pessoas dos diretórios de Farol e São Pedro do Ivaí e garantiu que o mesmo vai acontecer em Janiópolis ou qualquer cidade onde o prefeito mude de partido. Quanto ao apoio do PPS na Assembléia ao governo, Bueno alegou que isto não foi discutido com os deputados. ''A bancada tem liberdade, mas não abre mão da questão ética.''
Os quatro novos prefeitos filiados na última segunda-feira ao PMDB são da base de apoio do deputado Cleiton Kielse (PMDB). Segundo o membro da coordenação política na Casa Civil, Júnior Zarur, o prefeito de Mato Rico (165 km a oeste de Guarapuava), Nilson Padilha (PP) deve passar para o PMDB nos próximos dias. Há também especulações de que o prefeito de Campo Mourão, Nelson Tureck (PSDB), estaria conversando com o PMDB sobre uma possível mudança. A assessoria do prefeito confirmou as negociações, mas alegou que não existe nada concreto. (Colaborou Maria Duarte)

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