PPS racha e prepara ataques a Lula
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de junho de 2004
Agência Folha 
Brasília - O governista PPS está em crise. Com atitudes cada vez mais de oposição a Luiz Inácio Lula da Silva, a direção nacional da legenda prepara para os próximos dias uma vasta artilharia contra a política econômica do governo, mas enfrenta rebelião em sua bancada de deputados e senadores, cuja atuação majoritária no Congresso tem sido a de seguir as orientações do Planalto.
O presidente do partido, deputado federal Roberto Freire (PE), convocou uma reunião extraordinária da Comissão Executiva para hoje, ocasião em que pretende pedir satisfações à bancada. ''Eu não tenho nenhuma simpatia por esse governo, mas já votei com ele por decisão do partido. É inadmissível não respeitar os órgãos de decisão. Se não quiser respeitar, que vá embora'', afirmou Freire.
O deputado é o principal articulador do grupo oposicionista, que prepara ainda um documento com ataques à política econômica do governo - cujo título era: ''Sem mudança não há esperança''- e um programa nacional de rádio e TV em que explorará, entre outras coisas, os altos índices de desemprego e o aumento real (descontada a inflação) de apenas 1,2% do salário mínimo.
O programa, que terá dez minutos de duração e irá ao ar na quinta-feira, atribuirá os índices do desemprego e alguns dos principais problemas do país à manutenção, por Lula, de uma política econômica equivocada.
A ala governista do PPS, composta pelo ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) e pela maioria dos congressistas - são 22 deputados e dois senadores -, também partiu para o ataque. ''O partido tem que demonstrar coerência, não dá para ter o Ciro e várias outras pessoas no governo e tomar atitudes como essas'', afirmou o líder da bancada na Câmara, Júlio Delgado (MG), que questionou a postura de Freire: ''Quer dizer que era oposicionista complacente (durante o governo passado, do tucano Fernando Henrique Cardoso) e agora é governista crítico?''.
A divergência esquentou com a votação da medida provisória que estabeleceu o salário mínimo em R$ 260. A direção do PPS divulgou nota criticando duramente o aumento e Freire anunciou que o partido votaria contra. O resultado, porém, foram 11 votos a favor do governo contra apenas 4 que apoiaram um aumento para R$ 275.
Freire acusa Delgado de ignorar a decisão partidária. ''Liderança não é instância de direção partidária, mas órgão de cooperação. Ela não tem autonomia para contrariar ou reorientar decisão do partido, celebrar isoladamente qualquer negociação com o Executivo, colocar interesses de bancada acima daqueles definidos pela organização'', diz texto elaborado por Freire.


