Curitiba - O candidato ao governo do Estado pela coligação Voto Limpo, Rubens Bueno (PPS), ingressou com uma representação junto ao Conselho Nacional do Ministério Público contra o procurador-geral de Justiça do Paraná, Milton Riquelme de Macedo, questionando a ''parcialidade com a qual se conduz na função''. O documento, segundo o advogado do partido Luiz Fernando Pereira, foi protocolado na última quinta-feira, mas, até ontem, não estava cadastrado no sistema de consulta processual do conselho na internet.
A gota d'água teria sido a entrevista dada à Bandnews Curitiba, em que Riquelme afirmou não haver indício de ligação entre o policial civil Délcio Augusto Rasera - investigado por suposta participação em esquema de escutas ilegais - com o governo. A entrevista, segundo Bueno, teria sido agendada pela assessoria do candidato do PMDB, governador licenciado Roberto Requião. ''O procurador-geral se comporta como subalterno do governador e agora se apresenta como cabo eleitoral'', atacou Bueno.
Para Bueno, essa não é a primeira vez que Riquelme demonstra a falta de isenção. O candidato do PPS referiu-se à decisão do procurador de indeferir, liminarmente, a representação protocolada no MP, em março, para investigar o ''nepotismo'' no governo Requião.
A assessoria de imprensa do PMDB negou que tenha agendado ou sugerido entrevista à Bandnews com o procurador-geral. ''Ele tem assessoria própria para cuidar de sua agenda'', informou.
Riquelme disse, ontem, por meio da assessoria de imprensa, que é um direito de qualquer pessoa fazer reclamações aos órgãos competentes e que está plenamente tranquilo em relação a sua conduta como procurador-geral.
Em entrevista à Folha, anteontem, Riquelme afirmou que foi solicitada a abertura de um inquérito para apurar possível improbidade administrativa de funcionários públicos no caso Rasera. Confirmou, também, que o nome do assessor especial do governador, Mário Lobo, está incluído no inquérito.
Lobo acredita que é citado no inquérito como superior hierárquico de Rasera e que, por isso, deve ser chamado para depor. Ele afirmou que é assessor especial do governador e suas atribuições são na área jurídica, como presidente do Conselho de Política Automotiva e como coordenador do programa de expansão do setor sucro-alcooleiro. A colocação de Rasera na Casa Civil, afirmou Lobo, foi para poupá-lo de constrangimento, já que ele estava respondendo a processos disciplinares na Polícia Civil. ''Mas ele não tinha vinculação e sequer aparecia (na Casa Civil)'', acrescentou.

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