Arquivo FolhaPreparadoCiro Gomes: a partir de 8 de maio, a ordem é ir às ruas atrás dos votosO 12º Congresso Nacional do PPS, encerrado ontem em Brasília decidiu homologar a candidatura do ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes à presidência da República e pôr nas ruas, no dia 8 de maio, a campanha eleitoral do partido, pois a propaganda eleitoral no rádio e na televisão só poderá ser veiculada em agosto. Com a decisão do PPS, a candidatura Ciro Gomes tornou-se irreversível e a comissão eleitoral do partido simplesmente vai homologar seu nome, em junho.
Além da oficialização da candidatura Ciro Gomes, a reunião do partido aprovou uma ‘‘declaração aos brasileiros’’ na qual reafirma sua posição ‘‘a favor da construção de um novo bloco político de centro-esquerda, capaz de fazer frente à avalanche do neoliberalismo e de inserir o Brasil, competitivamente, no mercado mundial’’. Trata-se, segundo o documento, de ‘‘um novo bloco que tenha coesão política para governar com estabilidade e que respeite as diferenças de identidade em seu interior, com ética e espírito público’’.
Segundo o documento, a candidatura Ciro Gomes ‘‘representa uma nova postura, aquela que quer, de fato, ultrapassar as conquistas do Plano Real e construir uma verdadeira agenda humanista, politicamente progressista, socialmente justa e ambientalmente sustentada.’ Deverá ‘‘orientar-se para o resgate do Estado brasileiro sob novas bases, colocando-o a serviço de uma educação, de uma saúde e de um novo padrão de desenvolvimento, mais democrático e íntegro.’
ExclusãoO documento assinala que, às vésperas dos 500 anos de descoberta do Brasil, a maioria da população brasileira continua vítima da exclusão, que marca o processo de formação histórica do País. Segundo a declaração, ‘‘de Cabral até hoje, os muitos avanços e conquistas verificados, quase sempre por pressão da população e dos movimentos políticos e sociais, não significaram um projeto de desenvolvimento fundado na esperança de uma vida melhor e de uma sociedade mais justa para milhões de brasileiros.’
O documento aprovado pelo PPS assinala que a Constituição de 1988 não modificou a trajetória histórica da exclusão de grande parcela da população. ‘‘Continuamos reféns dos acordos restritos que repetem a velha máxima de ‘‘tudo mudar para que nada se mude’’, afirma, sustentando que o governo Fernando Henrique ‘‘é mais um exemplo dessa cansativa repetição histórica’’.
‘‘O atual governo FHC inverteu, na prática, o seu programa’’, afirma a declaração. ‘‘Acena, assim, com a mão direta para todos os brasileiros: o crédito agrícola deu lugar ao descrédito agrícola; a segurança, à insegurança; o emprego, ao desemprego; a saúde, à doença; a educação, ao crescimento do analfabetismo’’. O documento não aponta que mudanças o partido deseja e como fazê-las.

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