Agência Estado
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Coração de açoRoberto Freire e Ciro Gomes, no lançamento da candidatura: críticas ao governo Fernando Henrique e coração sem ‘‘vacilações’’O Partido Popular Socialista (PPS) oficializou ontem o nome de Ciro Gomes como candidato do partido à presidência da República. O ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará passou a ser, portanto, o primeiro candidato oficial à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. A decisão do diretório nacional do PPS prevê a possibilidade de alianças e o apoio a outro candidato, desde que seja formada um bloco dos partidos de centro-esquerda.
‘‘O lançamento da minha candidatura foi uma decisão do partido, docemente à minha revelia’’, definiu Ciro, que, ao final do encontro, durante 20 minutos, fez um discurso típico de candidato. ‘‘No meu coração não há vacilações, é meu dever não calcular riscos e limites’’, discursou. ‘‘A vitória, se não for para nós agora, será para a sociedade brasileira muito mais cedo do que se espera.
O ex-ministro da Fazenda reafirmou que abandonará sua candidatura caso o ex-presidente Itamar Franco (PMDB) seja candidato à Presidência. ‘‘Minha posição pessoal é apoiá-lo’’, disse Ciro. Ele disse acreditar que o ex-presidente vai tentar a candidatura pelo PMDB. Com mais cautela, o presidente do PPS, senador Roberto Freire, preferiu não ser tão categórico em relação a apoio a Itamar. ‘‘Não seria o mais adequado ter dois simultaneamente como candidatos, mas a posição do Ciro não é a do partido’’, disse Freire. ‘‘Nossa posição será tirada caso a candidatura Itamar venha a ocorrer.
Em tom de campanha, Ciro voltou a criticar o governo federal. Chamou as reformas do governo de ‘‘medíocres’’ e ‘‘imprestáveis’’. ‘‘Elas são concessivas, uma barganha politiqueira’’, afirmou. Segundo ele, o alcance das reformas previdenciária, administrativa e fiscal do governo federal será de apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB). As propostas de mudança dele e do PPS têm alcance muito maior. ‘‘O que estamos propondo tem o condão de alterar de 6% a 8% do PIB brasileiro’’, garantiu.
Com um nome escolhido para as eleições, a estratégia do PPS será intensificar as conversas com os demais partidos de esquerda e centro-esquerda. ‘‘Nada é impossível’’, afirmou Ciro, referindo-se a uma possível aliança com o PT. Para ele o ideal seria reunir em uma aliança o PT, PDT, PPS, PSB, PCdoB, PV, setores do PMDB e do PSDB. Segundo Freire, ainda não estão agendados encontros com os demais partidos para tratar especificamente do assunto. ‘‘Política não se faz com prazos e formalidades’’, disse o presidente do PPS. ‘‘Não poderá haver imposição de nomes nas discussões com outros partidos’’, acrescentou Freire.
Ciro usou um discurso conciliatório direcionado para potenciais aliados. ‘‘Não pretendo ser o líder da esquerda brasileira’’, disse o candidato do PPS, que já pertenceu ao PDS e ao PSDB. ‘‘Não sou um herói da resistência, nem tenho tradição de esquerda. Ele também fez elogios ao PT, chamando-o de ‘‘a força mais legítima da esquerda brasileira’’.
O ex-ministro continuará esta semana fazendo viagens pelo País para palestras e encontros com políticos. Para cada palestra ele cobra entre R$ 5 mil e R$ 10 mil livres de impostos, além de passagem e hospedagem. Esta semana ele irá a cidades do Tocantins, interior de São Paulo e Bahia. ‘‘Ainda não dá para fazer campanha’’, disse. Segundo ele, falta dinheiro.

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