Rio de Janeiro - As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou ontem seus antecessores de ''covardes'', foram mal recebidas no primeiro encontro político entre lideranças do PPS e do PSDB para discutir propostas da esquerda brasileira, ontem, no Rio. O deputado federal Alberto Goldman (PSDB-SP) disse que Lula bebera antes da declaração. ''Foi uma declaração etílica. Não tem explicação política'', afirmou Goldman, vice-presidente nacional do PSDB.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também criticou a fala do presidente. Para Alckmin, afirmações como essa ''não colaboram para o clima de união necessária para o país se desenvolver''.
Lula acusou anteontem seus antecessores de covardes por não terem tido, segundo ele, coragem para realizar as mudanças que o país precisa. A declaração foi feita durante a inauguração do novo aeroporto de Campina Grande (PB). Na ocasião Lula disse que encontrou um ''país abandonado'' e ''que muita gente passou a mão no dinheiro e não aplicou nas coisas corretas''.
Participaram do seminário o governador de Minas, Aécio Neves, os presidentes do PPS, Roberto Freire, e do PSDB José Aníbal, além de intelectuais, como o filósofo José Arthur Giannotti e a cientista política Aspásia Camargo.
Para Aníbal, Lula deve voltar a adotar o ''Lulinha paz e amor'' da campanha eleitoral. ''Eu prefiro o Lulinha paz e amor. O governo não pode se perder e achar que agredindo, xingando, vá melhorar as coisas, porque não vai''', disse Aníbal.
Para o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), as declarações de Lula não passam de ''bravatas''. ''Achei profundamente lamentável. Ele havia prometido que não iria mais fazer bravatas. É grave porque trata-se de uma mentira deslavada'', disse.

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