Brasília - O PPS e PMN oficializaram ontem a fusão dos dois partidos em Congresso Nacional realizado em Brasília. O nome do novo partido será MD (Mobilização Democrática) o mesmo escolhido em 2006 quando as duas legendas, mais o PHS, ensaiaram uma união, que na ocasião não teve êxito. No comando da nova legenda ficará o ex-presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP). Já o deputado Rubens Bueno (PR) vai acumular o posto de secretário-geral e o de líder do MD na Câmara. A vice-presidência e a tesouraria devem ficar com um integrante indicado pelo PMN. Os mandatos terão a duração de dois anos, podendo haver uma única reeleição.
De posse da ata da reunião, estatuto, manifesto e da composição do diretório nacional, os dirigentes da nova legenda seguiriram ainda ontem para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para protocolar o novo partido.
Pelas contas da cúpula do partido, o MD terá 13 deputados federais, 58 estaduais, 147 prefeitos e 2.527 vereadores. Em todo o Brasil serão 683.420 filiados. A direção nacional ficará divida com 40% dos cargos para o PPS e o mesmo percentual para o PMN. O restante (20%) ficará aberto para a adesão de integrantes de outras legendas.

Urgência
A realização do congresso dos dois partidos ocorre ao mesmo tempo em que iniciou no plenário da Câmara o processo de votação do projeto que restringe o acesso ao fundo partidário e ao tempo de televisão às legendas que não tenham disputado eleições.
As conversas para uma fusão do PPS e PMN estavam programadas para serem concluídas apenas no meio do ano. Diante da movimentação de integrantes da base aliada do governo para votarem a proposta, os dirigentes das duas legendas convocaram o encontro em ''caráter de urgência'' para decidiram pela união.
O projeto também pode ter efeito para a Rede Sustentabilidade, nova legenda que a ex-senadora Marina Silva corre para viabilizar de olho na disputa ao Palácio do Planalto de 2014. Na eleição presidencial de 2010, Marina recebeu cerca de 20 milhões de votos.
Por não se tratar de uma fusão, a Rede ainda precisa da coleta de cerca de 500 mil assinaturas em nove Estados para poder ter o registro eleitoral.

Janela
Com a criação do MD abre-se um prazo de 30 dias para que os políticos mudem para o partido sem o risco de perder o mandato. Esse período é conhecido como ''janela''. No radar do novo partido está a possibilidade de o ex-governador José Serra deixar o PSDB para ingressar ao MD. O tucano participou na semana passada de evento promovido pelo PPS onde defendeu a união de forças da oposição contra possível candidatura de Dilma à reeleição. Outra hipótese discutida é o apoio à possível candidatura à Presidência de Eduardo Campos (PSB) ou até mesmo de Marina Silva.

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