Brasília - O PPS e o PDT divulgaram ontem um comunicado conjunto com críticas à política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à atuação do núcleo de poder do governo na relação com os partidos políticos. O comunicado público foi o primeiro ato formal da aproximação das duas legendas que, segundo seus presidentes, Roberto Freire (PPS) e Carlos Lupi (PDT), estão em ''fase de namoro''. Fusão, na avaliação dos dois, está fora de cogitação no momento. O caminho, para eles, é intensificar as alianças no segundo turno das eleições e aprofundar as ações conjuntas.
Ex-ministro das Comunicações, ex-líder do Governo Lula na Câmara e ex-pedetista, o deputado Miro Teixeira (PPS-RJ) é um dos principais articuladores dessa aproximação partidária. ''A força do poder e do dinheiro não pode nunca tomar o lugar do convencimento e da lealdade'', afirma a nota, criticando a relação do governo com seus parceiros políticos. No documento, os presidentes das duas legendas avaliam que as iniciativas tomadas pelo chamado ''núcleo central'' do poder tem ''o claro interesse de intervir na rotina e na vida dos partidos políticos, conspurcando princípios, gerando divisões artificiais, incentivando o fisiologismo e, ao final de tudo, confrontando a democracia e o ideal republicano''.
Após a divulgação da nota, Freire afirmou ser muito grave a denúncia publicada pela revista Veja de que o PT e o PTB fecharam um acordo envolvendo apoio e pagamento em dinheiro. De acordo com a revista, o PTB receberia, em troca do apoio do partido ao PT, R$ 10 milhões e cargos na administração pública direta e indireta. ''Não vou afirmar que houve, mas não vou dizer que é armação. Os jornalistas não contaram um conto da carochinha'', disse Freire. ''A busca da governabilidade e da celebração de alianças são naturais e legítimas a qualquer administração, mas se transformam em grave equívoco quando é desrespeitado o primado da autonomia partidária e da ética na política'', prossegue o comunicado dos partidos.
Sobre a área econômica, a nota defende mudança na política adotada pelo presidente Lula para um modelo que aponte para ''o rompimento com os interesses meramente financistas, que tanto prejudicam o desenvolvimento, a produção e, principalmente, os trabalhadores''.
Freire argumenta que o PPS e o PDT já defendiam essa mudança quando apoiaram o então candidato Lula. ''Nas eleições de 2002 tínhamos um posicionamento político contra a política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso. Nós condenamos a política econômica do presidente Lula, que é uma continuidade da anterior'', disse.

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