Curitiba - A disputa pelo apoio de Rubens Bueno (PPS) para a Prefeitura de Curitiba poderá ter desfecho ainda esta noite. Ontem, Bueno foi a Brasília discutir com a executiva nacional do PPS os rumos que o partido irá seguir no segundo turno em todo o País. Segundo Bueno, o PPS do Paraná está livre para decidir localmente os apoios nas quatro cidades do Estado em que se realizará o segundo turno.
A orientação do partido é que os pepessistas apóiem os candidatos do PDT quando possível. Os dois partidos caminham para a formação de um bloco a partir do final do mês, que Bueno define como uma ''nova esquerda'', ou seja: oposição a Lula, mas desvinculada de PSDB e PFL. Apesar do PDT em Curitiba apoiar Beto, Bueno garante que a diretriz é voltada para as cidades onde o PDT tem efetivamente candidato, como Salvador e Maceió. ''Hoje (ontem) à noite vamos discutir a situação com o diretório estadual e depois levar uma posição para cada município onde há segundo turno. Não há nada decidido ainda'', disse ontem Bueno, que teve votação expressiva para a Prefeitura de Curitiba e está sendo disputado pelos dois candidatos que disputam o segundo turno: Angelo Vanhoni (PT) e Beto Richa (PSDB).
Bueno afirmou que não aceitará imposições ou troca de apoio por cargos políticos. O ex-deputado e presidente do PPS do Paraná estava no cargo de diretor-administrativo da Itaipu Binacional antes de se licenciar para concorrer em Curitiba. O cargo ainda está vago e tem sido acumulado pelo diretor-presidente Jorge Samek (PT), que disse que só definiria o sucessor de Bueno após o período eleitoral. ''Eu não aceitaria a prática da velha política. Não troco apoio eleitoral por cargo'', declarou Bueno, em entrevista à Folha.
Mesmo que não tenha o apoio oficial de Bueno, Requião acredita que os votos do candidato migrarão obrigatoriamente para Vanhoni. ''O Rubens Bueno fez uma belíssima votação em Curitiba, um excelente resultado. Mas tudo isso se resolve agora. Quem votou nele vota obrigatoriamente em Vanhoni no segundo turno, contra o candidato de Cassio Taniguchi (PFL)'', analisou Requião, ao se referir a Beto Richa (PSDB). Beto e Taniguchi romperam politicamente pouco antes da eleição. Para Requião, tudo não passa de ''jogo de cena''. ''Isso é ilusionismo. Se o Beto não gostava da maneira como o prefeito conduzia a cidade, deveria ter mostrado seu descontentamento saindo da vice-governadoria'', arriscou.
Requião disse que não irá buscar apoio de Bueno para o segundo turno. De acordo com ele, este papel é de Vanhoni. ''Não vou influenciar nesse processo. As alianças têm que ser feitas pelo próprio candidato'', cutucou. Requião mostrou o descontentamento dele com a campanha petista quando falou que não pretende se licenciar nos próximos dias para se dedicar ao segundo turno dessas eleições. ''Eu tenho muito trabalho no governo do Estado e não tenho como me licenciar. Se fizer isso, será no final da campanha'', disse o governador. O detalhe é que a campanha de segundo turno é curta e termina no dia 30, um dia antes da decisão eleitoral. (Colaborou Luciana Pombo)

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