PPS anuncia neutralidade no 2º turno
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quinta-feira, 14 de outubro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Conforme já havia sinalizado, o PPS optou pela neutralidade no segundo turno das eleições municipais em Curitiba. Mesmo sendo assediado por Beto Richa (PSDB) e Angelo Vanhoni (PT) em virtude dos 20% dos votos válidos que obteve no primeiro turno, Rubens Bueno anunciou que não irá apoiar ou declarar voto a nenhum dos dois candidatos. Uma decisão da cúpula do partido no município também impede que os vereadores, deputados e demais filiados da sigla declarem publicamente apoio a qualquer um dos candidatos.
A postura de independente adotada pelo PPS leva em conta as eleições de 2006, quando serão eleitos o governador, senador e deputados estaduais e federais. O partido pretende lançar candidato próprio ao governo, e o nome mais provável é o do próprio Rubens Bueno.
''Aumentamos em 126% o nosso número de prefeitos graças à nossa postura e candidaturas próprias. O partido precisa de candidato próprio para crescer, e garanto que o PPS terá seus nomes para disputar o governo do Paraná e a presidência do Brasil daqui a dois anos. Os filiados entenderam que a independência em Curitiba é importante para que em 2006 não sejamos julgados por quem apoiamos nas eleições passadas'', argumentou Bueno. Além de Curitiba, o partido manteve-se neutro no segundo turno em Londrina e Ponta Grossa. Apenas em Maringá os pepessistas decidiram apoiar Sílvio Barros (PP).
A independência do PPS, porém, não impediu os outros dois candidatos de sair à caça dos eleitores de Bueno. Vanhoni foi o que tomou a iniciativa mais agressiva. No programa de rádio, um ator afirmava que devido ao passado de Bueno (que foi vice na campanha de Vanhoni em 2000), o eleitor de Bueno deveria optar pelo PT. ''Quem vota no Vanhoni é como se estivesse votando no Rubens Bueno'', afirmava o ator.
A propaganda foi considerada anti-ética por Bueno. ''Entendo que os candidatos vão em busca dos eleitores que votaram em mim, mas é anti-ético utilizar o meu nome da maneira como foi colocado. Isso é uma propaganda enganosa'', afirmou Bueno. Ontem, o comitê do PPS anunciou que iria entrar com uma representação na Justiça Eleitoral pedindo a suspensão da veiculação do trecho com referências ao pepessista.
Vanhoni, porém, já adiantou que pode retirar o trecho mesmo antes de decisões judiciais, e aproveitou para tentar vincular mais seu nome ao de Bueno. ''Eu e o Rubens somos amigos, já defendemos juntos interesses do povo paranaense como a não privatização da Copel, e participamos de campanha juntos. Se ele achou isso exagerado, é só nós conversarmos que a gente tira a propaganda do ar'', contemporizou Vanhoni.


