PPS anuncia fim do apoio a Requião
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de julho de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A bancada do PPS na Assembléia Legislativa anunciou ontem seu afastamento da base de apoio ao governador Roberto Requião (PMDB). Em nota divulgada ontem, os quatro deputados do PPS acusaram o PMDB de agir com falta de ética e notificaram que estão deixando a base aliada.
A crise entre o PPS e o PMDB começou no início do mês, quando o PPS afirmou que os prefeitos eleitos pela legenda estavam sendo assediados pelo PMDB. O presidente estadual da sigla, Rubens Bueno, acusou o governo de praticar uma política semelhante à do mensalão, condicionando a liberação de verbas às prefeituras mediante a filiação dos prefeitos do PPS ao PMDB.
Ontem o Palácio Iguaçu fez um último esforço para manter o PPS na base aliada. O vice-governador Orlando Pessuti visitou o presidente estadual do PPS, Rubens Bueno, em uma tentativa de melhorar a relação entre as duas siglas. ''Nós colocamos nossa posição para o Pessuti, mostrando que não iríamos mudar nada do que já tínhamos declarado. Essa política do toma-lá-dá-cá é uma forma de prostituição política com a qual o PPS não irá compactuar'', afirmou Bueno.
O governador Roberto Requião (PMDB) também envolveu-se na mediação da crise. Ontem, ele teve um encontro com o deputado estadual Marcos Isfer (PPS) e discutiram o assunto. Requião manifestou o interesse em manter o PPS na base governista. A aliança entre as duas siglas começou no segundo turno de 2002, quando o PPS apoiou Requião na disputa com o então candidato do PDT, o senador Alvaro Dias (PSDB). Após o encontro, Requião manifestou otimismo em relação à manutenção da aliança. ''O caso de amor entre o PPS e o PMDB é antigo e não vai acabar por causa de boatarias e pelas ações de alguns integrantes do PMDB que agiram de forma isolada. Acredito na aliança entre os dois partidos, e inclusive penso que ela vai continuar nas eleições do ano que vem'', afirmou Requião.
Segundo Isfer, o governador afirmou que não teve participação direta na cooptação dos prefeitos do PPS. ''Acredito que não houve determinação do governador neste sentido, e que o assédio partiu por parte de peemedebistas dispostos a mostrar serviço para o governador. Mas em todo caso, isso mostra uma falha na coordenação política do governo. Todo relacionamento exige respeito, e nesse episódio ficou claro a falta de respeito do PMDB e do governo com o PPS. Assim, não nos restou outra opção a não ser deixar o governo'', comentou Isfer.
Apesar da decisão dos deputados de se afastarem do governo, o PPS não determinou a seus filiados que entreguem os cargos que ocupam no Executivo estadual. ''Todas as nomeações foram feitas de maneira pessoal pelo governador, sem que o PPS fosse consultado. Assim, é uma questão de foro íntimo de cada filiado a decisão de permanecer ou não no cargo'', disse Bueno. Na reunião de ontem, porém, Rubico Camargo, diretor da Compagás, anunciou que deve entregar nos próximos dias seu pedido de exoneração do cargo a Requião.


