A primeira reunião da Executiva Nacional do PPB depois das eleições, realizada ontem em Brasília, mostrou que as divergências dentro do partido cresceram em praticamente todos os setores. O único consenso das bancadas da Câmara e do Senado é com relação à indicação do presidente do partido, Paulo Maluf, derrotado na eleição ao governo de São Paulo, para um ministério no segundo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
O assunto vem sendo tratado em sigilo, inclusive pelo próprio Maluf. Ele negou que tenham tratado disso na reunião da Executiva. Para o líder na Câmara, deputado Odelmo Leão (MG), ‘‘doutor Paulo está preparado para assumir qualquer cargo público’’. ‘‘Ele tem todas as condições, é um grande líder nacional’’, defendeu o deputado Pedro Corrêa (PE).
O senador Epitácio Cafeteira (MA) renunciou ao cargo de líder para não compactuar com a posição do PPB de ‘‘aliado de segunda categoria do governo’’. Ele alegou que o presidente Fernando Henrique, apesar de ter se comprometido a não interferir na escolha dos governadores, desempenhou papel decisivo para a sua derrota no Maranhão e a de Paulo Maluf em São Paulo. Cafeteira também se opôs à idéia de o partido formar um bloco com o PFL.
A oposição manifestada por boa parte dos pepebistas, principalmente os que não conseguiram se reeleger, terminou por adiar para fevereiro a discussão da matéria. Será então analisada a possibilidade de formar um bloco inclusive com outros partidos, como o PTB, o PL. Maluf explicou que a bancada que tomar posse em fevereiro é quem vai decidir sobre a questão.
Ele disse que pediu a seus correligionários que votassem ontem, na Câmara dos Deputados, ‘‘a favor da reforma da Previdência’’, ou seja, da forma desejada pelo governo, com a rejeiçao dos últimos destaques apresentados pela oposição. ‘‘Não podemos aceitar que um procurador da assembléia de Alagoas se aposente com R$ 40 mil por mês, enquanto que a viúva do Piauí vai receber meio salário mínimo’’, justificou. ‘‘Você tem que ter coração para reformar essas coisas.’’
O partido resolveu adiar para a quarta-feira que vem, em outra reunião da Executiva, a decisão sobre cada uma das medidas do ajuste fiscal. Maluf disse que não aceita o aumento de impostos e que está convencido que os empresários do País não têm condições de aguentar novas taxações. Segundo ele, o governo tem que aumentar a arrecadação ‘‘colocando os sonegadores na cadeia’’.Foto de Ed Ferreira/Agência EstadoNo CongressoPaulo Maluf cumprimenta membros do partido, acompanhado pelo senador Epitácio CafeteiraRosa Costa
Agência Estado

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