O ex-prefeito Paulo Maluf (SP) deverá ser obrigado a deixar a presidência nacional do PPB na próxima terça-feira, quando a executiva do partido deverá se reunir em Brasília. No programa nacional do partido, que foi ao ar na noite de quinta-feira, Maluf fez críticas ao desempenho do governo Fernando Henrique, do qual o partido faz parte. A executiva do PPB deverá votar uma moção de censura sobre a postura de Maluf, que incluiu sua fala no programa sem comunicar aos demais integrantes da executiva o conteúdo crítico.
Por isso, a participação de Maluf acabou pegando de surpresa os principais caciques do partido. O PPB apoiou a reeleição de FHC e participa do governo com dois ministros: Francisco Dornelles (Trabalho) e Francisco Turra (Agricultura). ‘‘Maluf não pode usar o horário eleitoral gratuito do PPB para extravasar seus ressentimentos e suas frustrações’’, atacou Dornelles.
Durante o programa, Maluf acusou o governo de não estar resolvendo o problema do desemprego, área de responsabilidade da pasta do Trabalho, de Dornelles. ‘‘Ele não tem mancômetro; falta ao Maluf ética e educação política’’, disse.
Além do desemprego, Maluf cobrou no programa soluções para o problema da segurança pública e questionou o governo sobre o destino do dinheiro arrecadado com a privatização das estatais e usado para o abatimento de dívidas. ‘‘Ele não teve postura, tanto que chegou a usar termos chulos como cassino e roleta’’, disse Dornelles.
Ontem mesmo, o vice-presidente do PPB, deputado Ricardo Barros (PR), enviou uma carta ao próprio Maluf, convocando a reunião da executiva do partido. ‘‘Vamos tomar medidas rígidas, já que ele usou o programa e a estrutura do partido para tomar uma posição pessoal’’, disse Barros. ‘‘Ele criou um constrangimento desnecessário’’, completou o deputado paranaense. A proposta de afastamento de Maluf, com uma moção de censura, deverá ser apresentada pelo deputado Eurico Miranda (PPB-RJ).

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