SenadoGarcia:‘Corro sozinho, sem acordos com Lerner, Álvaro ou Requião. Nenhum acerto espúrio vai limpar a área como pretende Álvaro’O avanço da estratégia para a ‘mexida’ de chapa, a ser formalizada até amanhã pelo governador Jaime Lerner, abriu brecha para o PPB ressuscitar seu interesse na briga pelo Senado. A 48 horas do prazo final para o registro de candidaturas, o empresário Toni Garcia anunciou disposição em concorrer contra o ex-governador Álvaro Dias (PSDB) à vaga. Munido de uma ata, que lhe garante legalmente espaço para figurar como candidato independente do PPB, o empresário afirmou que o partido banca sozinho seu nome para não comprometer o ‘‘acordo branco’’ firmado pelo PSDB e PFL, a pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
‘‘Corro sozinho, sem acordos com Lerner, Álvaro ou Requião. Nenhum acerto espúrio vai limpar a área como pretende Álvaro Dias’’, discursou Garcia, já se colocando como candidato de oposição. Ele acusou o ex-governador, que só volta da França depois do dia 13, de fazer ‘‘jogo duplo’’ com PMDB e PPB, siglas com as quais o PSDB discutiu coligação. ‘‘Colocamos uma condicionante na ata. Se o PFL e PTB não lançassem Emília para o Senado, o PPB ficaria desobrigado podendo lançar candidato. Apostei na Emília, porque sabia que havia acordo entre Lerner e Álvaro’’, revelou.
A estratégia do PPB foi detectada à distância pelo ex-governador Álvaro Dias. O tucano teria disparado telefonemas ao Palácio Iguaçu, ontem, criticando a ‘armadilha’. Mais uma vez, teria deixado clara sua intenção de disputar sozinho à vaga, como contrapartida pelo PSDB não ter lançado candidato ao governo. O presidente nacional do PPB, ex-prefeito Paulo Maluf, teria entrado no circuito, na tentativa de demover o PPB. ‘‘Não estou nem aí. O Álvaro está com medo porque sai candidato com um desgaste muito grande. O PMDB está irritado e o PPB se sente usado’’, reagiu Toni Garcia.
Lerner e seu grupo também devem pressionar o PPB para rever posição até amanhã, às 19 horas, quando expira o prazo para os registros dos candidatos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Mas os ‘lerneristas’ já tinham ontem discurso pronto para justificar a inflexibilidade dos pepebistas: a ata assinada pelo presidente estadual do partido, o deputado federal José Janene, e pela executiva provisória no Estado.
O interesse do PPB pelo Senado tem suas razões, conforme avaliação de Toni Garcia. Para ele, a eleição 98 será polarizada no Senado, assim como na disputa pelo governo. ‘‘Em 90, fiz 645 mil votos. Houve polarização nos últimos dias, quando encostei no Zé Eduardo. Imaginem nesta, quando a concentração acontece três meses antes da eleição?’’, questiona. Postulando a vaga pela terceira vez - em 94 também saiu derrotado das urnas - Garcia pretende disputar votos da mesma faixa eleitoral de Álvaro.
Uma pendência judicial pode ser o fantasma do empresário, caso sua candidatura for confirmada. Toni Garcia é apontado como um dos principais responsáveis pelo calote de milhões de reais gerado com a intervenção do Consórcio Garibaldi. (L.D.)

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