PPB ignora Álvaro e lança Tony Garcia
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domingo, 05 de julho de 1998
Leandro Donatti 
Marcelo AlmeidaOficialDeputado federal José Janene, presidente regional do PPB, registra a candidatura de Tony Garcia ao SenadoA direção estadual do PPB conseguiu neutralizar supostas pressões comandadas da França pelo candidato do PSDB ao Senado, ex-governador Álvaro Dias, e registrou ontem a candidatura do empresário Tony Garcia ao Senado. A entrega da documentação ocorreu por volta das 14 horas, na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em Curitiba. A cúpula do PPB acompanhou o empresário para a formalização do registro. Tony vai concorrer à vaga em faixa própria, sem o apoio formal do governador Jaime Lerner (PFL), que conta com o PPB para sua reeleição.
Álvaro soube da manobra pepebista em Paris - onde fica até o final da Copa do Mundo fazendo comentários para uma rádio de Londrina - logo depois que Lerner cumpriu sua parte no acordo branco , afastando a vice-governadora Emília Belinati (PTB) da briga pelo Senado. O PPB condicionou a ata de sua convenção à indicação de Emília, caso contrário ficaria com a liberdade para lançar Garcia. A estratégia pepebista, que não deixa Álvaro sozinho na disputa, por pouco não foi minada pelo tucano, que, segundo versão do comando do PPB, teria recorrido ao Palácio Iguaçu e ao Palácio do Planalto, em Brasília, para impedir o lançamento do empresário.
Tanto o presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene, como Tony Garcia confirmaram ontem o suposto lobby de Álvaro Dias para neutralizar a candidatura própria do PPB ao Senado. Até o vice-presidente Marco Maciel entrou em contato conosco, assegurou Garcia. O presidente nacional do PPB, ex-prefeito Paulo Maluf, também entrou no circuito e tentou impedir o comando pepebista de levar a idéia adiante. Mas foi no Palácio Iguaçu que os pepebistas do Paraná encontraram mais espaço para vingar a candidatura de Tony Garcia. Lerner não criou obstáculos, nem pediu para que seu staff forçasse um veto sobre o PPB.
O grupo de Lerner fomenta informalmente a revanche no PPB, batendo na tecla de que o PPB foi usado pelo ex-governador durante o processo de definição das coligações partidárias. O comando pepebista mantinha esperanças numa aliança com os tucanos até os momentos finais permitidos pela legislação eleitoral, o que acabou não se concretizando. A cúpula pepebista garantiu ter recebido ontem apoios de diversas lideranças tucanas do interior do Estado, que assim como o PPB, estariam sentindo-se traídas pelo não lançamento de candidatura própria tucana.
Os suplentes de Tony Garcia são os irmãos de José Janene, Assad Janene; e do deputado federal Ricardo Barros, Silvio de Barros Segundo. Os nomes foram entregues ontem ao TRE. Além do PPB, o PRN empresta apoio à chapa ao Senado. Bem como coliga com o PPB nas proporcionais (para deputados estadual e federal). Daqui uns dez dias estarei com a campanha nas ruas. Preciso primeiro me estruturar, disse Garcia. Ele aposta na polarização da disputa, que conta com apenas três candidatos, para vencer nas urnas.
Esta é a terceira vez que Tony Garcia disputa o Senado. Sempre secundado pelo publicitário de Curitiba Jmail Snege, na primeira, em 90, ficou em segundo lugar perdendo para o senador José Eduardo Vieira. Em 94, ficou atrás de Roberto Requião (PMDB) e de Osmar Dias (PSDB). Desta vez a história é diferente. Eleição polarizada do início ao fim é outro papo. O Álvaro terá de se empenhar bastante para me dobrar, discursou.


