PPB evita racha e recomenda oposição à reeleição
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quinta-feira, 05 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, não conseguiu ontem fechar questão contra a reeleição-já na convenção nacional do PPB. Como previsto, a cúpula preferiu aprovar apenas uma recomendação contra a reeleição do atual presidente da República para evitar um racha no partido, dividido sobre a questão. Maluf, porém, não perdeu a oportunidade e endureceu a pressão sobre os indecisos e os partidários da reeleição-já.
O prefeito e virtual candidato à Presidência da República advertiu em discurso que fechamento de questão e recomendação são expressões que têm o mesmo valor jurídico. Depois, com lágrimas nos olhos, Maluf desafiou aqueles que ainda resistem a acatar a recomendação do partido. Nunca traí meu partido, nunca vendi meu tempo de TV (já chorando) e não sou mercenário, afirmou o prefeito. O partido está unido e vai marchar unido.
Segundo Maluf, o PPB apoiará todas as reformas do governo, mas não vai abrir mão de disputar a sucessão presidencial em 1998. Não colocaremos na mesa de negociação o nosso projeto de poder, insistiu Maluf, lembrando que o PPB foi o partido com maior número de votos nas eleições deste ano. O partido que está no governo ficou em quinto lugar, perdendo em São Paulo de maneira bastante humilhante, acrescentou o prefeito, numa referência ao PSDB.
Irritado com as notícias de que o PPB poderá ficar dividido, Maluf atacou o governo, que na sua opinião está tentando cooptar alguns parlamentares do partido. Não era mais fácil o governo se preocupar com o PSDB?, perguntou Maluf. Lá vai rachar porque tem gente que vota contra, mas no PPB não vai ter racha, acrescentou. O tipo de cooptação que estão querendo não vai grassar no coração desses deputados. Segundo ele, 90% do partido estão engajados no projeto de 98.
Além do tom emocional e da pressão sobre os indecisos, Maluf também deixou claro que vai abusar das críticas ao governo para buscar aliados contra a reeleição do atual presidente.


