BRASÍLIA - O prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, não conseguiu ontem fechar questão contra a reeleição-já na convenção nacional do PPB. Como previsto, a cúpula preferiu aprovar apenas uma ‘‘recomendação’’ contra a reeleição do atual presidente da República para evitar um racha no partido, dividido sobre a questão. Maluf, porém, não perdeu a oportunidade e endureceu a pressão sobre os indecisos e os partidários da reeleição-já.
O prefeito e virtual candidato à Presidência da República advertiu em discurso que ‘‘fechamento de questão e recomendação são expressões que têm o mesmo valor jurídico’’. Depois, com lágrimas nos olhos, Maluf desafiou aqueles que ainda resistem a acatar a recomendação do partido. ‘‘Nunca traí meu partido, nunca vendi meu tempo de TV (já chorando) e não sou mercenário’’, afirmou o prefeito. ‘‘O partido está unido e vai marchar unido.’’
Segundo Maluf, o PPB apoiará todas as reformas do governo, mas não vai abrir mão de disputar a sucessão presidencial em 1998. ‘‘Não colocaremos na mesa de negociação o nosso projeto de poder’’, insistiu Maluf, lembrando que o PPB foi o partido com maior número de votos nas eleições deste ano. ‘‘O partido que está no governo ficou em quinto lugar, perdendo em São Paulo de maneira bastante humilhante’’, acrescentou o prefeito, numa referência ao PSDB.
Irritado com as notícias de que o PPB poderá ficar dividido, Maluf atacou o governo, que na sua opinião está tentando cooptar alguns parlamentares do partido. ‘‘Não era mais fácil o governo se preocupar com o PSDB?’’, perguntou Maluf. ‘‘Lá vai rachar porque tem gente que vota contra, mas no PPB não vai ter racha’’, acrescentou. ‘‘O tipo de cooptação que estão querendo não vai grassar no coração desses deputados’’. Segundo ele, 90% do partido estão engajados no projeto de 98.
Além do tom emocional e da pressão sobre os indecisos, Maluf também deixou claro que vai abusar das críticas ao governo para buscar aliados contra a reeleição do atual presidente.

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