Jonas OliveiraConsumadoPartidos de esquerda tiveram de ‘engolir’ a adesão pepebista, que era vista com resistência A direção estadual do PPB formalizou ontem a sua entrada na frente das oposições à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). O ingresso foi anunciado durante reunião na sede do PSDB, em Curitiba, com a divulgação de um termo de compromisso para as eleições 98. Agora, a frente anti-Lerner conta com a participação de 10 siglas no Estado: PMDB, PSDB, PCB, PC do B, PT, PPS, PRTB, PSDC, PPB e PSN, que juntas podem controlar até 70% do horário eleitoral no rádio e na tevê.
Os presidentes de partido fecharam cronograma especial de visitas ao interior para difundir a proposta de coligação. Eles levarão as pré-candidaturas ao governo do senador Roberto Requião (PMDB); do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias; do ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PT) e do deputado federal Ricardo Barros (PPB), como opções de escolha a lideranças e prefeitos. Os eventos serão organizados em conjunto pelos institutos políticos de cada sigla.
A intenção dos encontros é, ainda, de aparar arestas deixadas pelo processo eleitoral de 96, que acentuou as diferenças políticas locais. Londrina será a primeira cidade onde a frente das oposições anunciará a união, no dia 6 de fevereiro. As divergências entre o PT e o PPB não devem pôr em risco o projeto das oposições, aconselhavam ontem os dirigentes partidários. O ex-prefeito de Cascavel, Fidelcino Tolentino (PMDB), garantiu também que as suas ‘‘brigas pessoais e ideológicas’’ com o prefeito Salazar Barreiros (PPB) não emperrarão o processo.
Maringá é a segunda cidade a ser visitada pelo grupo, no dia 7 do mês que vem, às 9 horas. Seguida de Ponta Grossa (dia 27); Guarapuava (dia 28); Cascavel (6 de março); Foz do Iguaçu (7 de março); Pato Branco (13 de março) e Francisco Beltrão (14 de março). Nesta, a oposição promete fazer articulações intensas frente à declaração de apoio feita na semana passada a Lerner pelo prefeito Guiomar Jesus Lopes, a primeira dissidência oficial do PMDB no Estado.
Para o presidente do PPB, José Janene, a aliança com o PFL-PTB está praticamente descartada e as manifestações dos deputados favoráveis ao governo tendem a ser revistas no decorrer do processo. ‘‘Não está excluída 100% porque temos de confirmá-la em convenção, que no nosso caso pode se resumir à decisão da provisória’’, informou o deputado, referindo-se aos 17 membros que integram o comando estadual e cuja maioria seria anti-Lerner. Janene disse que recusou convite do governador para conversar na semana passada, depois do anúncio dando conta da tendência pepebista. ‘‘Mais uma vez mandaram interlocutores’’, reclamou.
Ricardo Barros, o ‘balão de ensaio’ do PPB ao governo do Paraná, disse ontem que a aproximação com a oposição era natural. ‘‘Pelo menos com estes partidos temos uma perspectiva de conversa mais ampliada. Com o Lerner, é só o ‘venha à nós’’, criticou. Para o deputado, fechar acordo com o PFL pressupõe apoio antecipado à reeleição do governador, sem poder de negociação ou de discussão na chapa majoritária.

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