A mais séria acusação já feita ao governo Fernando Henrique Cardoso em dois anos - de quebra do sigilo bancário para uso político - transformou em pesadelo o final do ano legislativo. O PPB exigiu a abertura de sindicância no Banco do Brasil, para apurar o vazamento dos dados referentes a pelo menos nove correntistas do banco oficial membros da executiva nacional do PPB.
Os líderes governistas na Câmara avaliam que, se o suposto documento for divulgado, o governo terá mesmo de apurar e punir. O presidente do partido, Esperidião Amin, deve mostrar a lista hoje ao ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos. ‘‘Não podemos fazer nada enquanto a tal lista não for mostrada’’, argumentou o líder do PSDB, José Aníbal (SP). ‘‘Mas se isso existir, merece investigação rigorosa’’, sustentou, em reunião com os colegas do PMDB, Michel Temer (SP) e do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘A lista existe, eu vi’’, garantiu Delfim Netto ao chegar ao plenário.
Entre os políticos que devem ao banco, ele recordou ter lido os nomes dos deputados Benedito Domingos (DF), Francisco Silva (RJ), Alcyone Athayde (RJ), Dilceu Sperafico (PR) e José Janene (PR). Delfim garante que se trata de uma correspondência interna do Banco do Brasil, com a relação das dívidas dos pepebistas. O documento teria circulado na reunião da executiva nacional do partido que decidiu, em 27 de novembro, deixar como questão aberta o apoio à reeleição.
‘‘Na véspera da reunião um assessor do Palácio do Planalto solicitou ao PPB, por fax, a relação nominal dos membros da executiva’’, disse o deputado. ‘‘Isso mostra que estamos vivos e incomodando’’, ironizou o líder do PPB, Odelmo Leão. O episódio, ainda não esclarecido, aumentou a resistência à tese da reeleição, matéria que o governo pretende votar na Câmara em convocação extraordinária no mês de janeiro.
Ao caso da lista soma-se o descontentamento de parte da base governista com a denúncia que atingiu o líder do PTB, deputado Pedrinho Abrão (GO), acusado pelo ministro Gustavo Krause de tentar extorquir uma empreiteira para incluir uma verba de R$ 42 milhões no Orçamento. No caso Abrão, o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), ficou ressentido com o Planalto por não ter sido alertado antes que o assunto chegasse à imprensa. Ele dividiu seu ressentimento com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).
Nesse ambiente instável, o senador Iris Rezende (PMDB-GO) lançou ontem sua candidatura à presidência do Senado. Sua candidatura não interessa ao Planalto.

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