Curitiba - Vice-líder de Dilma Rousseff (PT) na Câmara e, ao mesmo tempo, um dos principais aliados do governador Beto Richa (PSDB) no Paraná, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) negou ontem que tenha sido convidado a ocupar qualquer ministério, em troca da manutenção da legenda na base de apoio ao governo federal. Durante o dia, veículos de comunicação publicaram que, após o rompimento com o PMDB, a gestão petista ofereceu ao PP a pasta da saúde, hoje comandada por Marcelo Castro (PMDB-PI), e uma mudança na da Integração Nacional, já a cargo do partido - Gilberto Occhi (PP-MG) daria lugar a Cacá Leão (PP-BA). O objetivo seria evitar uma debandada também da quarta maior bancada da Casa, atualmente com 49 membros.
"Isso é especulação da imprensa. Eu não fui informado pessoalmente", afirmou Barros à FOLHA, por telefone. Segundo ele, a sigla ainda fará uma reunião, sem data marcada, para decidir se permanece ou não ao lado da presidente. A expectativa é que tudo se resolva até o dia 12, quando acontece a votação do impeachment na Comissão Especial. A situação, contudo, seria diferente da do PMDB, que mira a derrubada de Dilma para assumir o poder. "O (vice-presidente) Michel Temer (PMDB-SP) tinha um motivo para defender a saída, que era ter conforto para promover articulações de montagem de um futuro governo. Ele não poderia fazer isso estando no governo. Mas nós (PP) não temos essa preocupação", explicou.
Por outro lado, o pepista admitiu que a tendência é de que a legenda, uma das mais citadas na Lava Jato, forme com quem vier a administrar o País. "O PP será base de qualquer que seja o governo, porque esse é o mandamento constitucional brasileiro, do presidencialismo de coalizão. Quem ganha tem de formar base parlamentar. (…) O partido formará base com qualquer presidente, até o dia em que dispute - ganhe ou perca. Enquanto não disputa, vai ser convidado sempre", acrescentou. O PMDB tinha sete ministérios, no entanto, com a decisão de abandonar o PT, deve entregar os cargos. Além do PP, especula-se que PR, PSD, PRB e os "nanicos" PHS, Pros, PEN e PTN estejam sendo cortejados.
Ricardo Barros é considerado um nome de bom trânsito tanto em Brasília como no Paraná. Por aqui, sua mulher, Cida Borghetti (PP), é a vice-governadora, seu irmão, Silvio Barros (sem partido) é o secretário do Planejamento e sua filha, Maria Victoria (PP), é deputada estadual. Aliás, caso a opção do PP seja pela saída do governo federal, ele poderá se licenciar e voltar ao Estado. Isso porque o próprio governador já falou que o parlamentar é o mais cotado para assumir o lugar de Silvio, que pretende concorrer à Prefeitura de Maringá (Norte) nas eleições de outubro. (Com agências)

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