PP promete investigar telefonemas para Suíça
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sábado, 24 de setembro de 2005
Diego Escosteguy e Marcelo de Moraes<br> Agência Estado 
Brasília - Cópias de contas de telefone obtidas pela Agência Estado apontam a existência de uma conexão suíça do Partido Progressista (PP). Extratos de contas de telefone anexados à prestação de contas da legenda revelam pelo menos 146 ligações, no final de 2002 e ao longo de 2003, de números da sigla em Brasília para Zurique, coração financeiro da Suíça. Metade desses telefonemas foi feita do celular de Valmir Crepaldi, contador e funcionário da tesouraria do partido, que também é suplente do Diretório Nacional do PP.
O presidente do PP, deputado Pedro Corrêa, garantiu não saber das ligações. ''Vou criar uma comissão de sindicância e mandar investigar isso aí'', prometeu. Corrêa é um dos parlamentares que estão na fila de cassação por causa do escândalo do mensalão.
Os papéis entregues ao Tribunal Superior Eleitoral mostram que a maioria das ligações tinha como destino um número registrado na Suíça, conhecido paraíso fiscal, em nome de Elieney Macher. Segundo o PP, trata-se da tia de Gina Alves de Oliveira, mulher de Crepaldi e também funcionária do partido.
As ligações partiam de quatro números diferentes, todos registrados em nome do PP. Dois deles da sede do partido na capital federal e outro do escritório do Movimento do Trabalhador Progressista, ligado à legenda. O último número é o celular de Crepaldi.
Na Suíça, eram três os números de destino. Dois são de Macher (um fixo e um celular) e outro é uma linha do Bar e Restaurante Penalty, registrada em nome de Jeanpierre Walliker. O restaurante, apenas fachada para uma casa de jogos, também fica em Zurique.
A reportagem ligou para o número de Macher. O telefone foi atendido por uma criança que só fala alemão e nada conhece sobre o Brasil. No fundo, uma voz de mulher pedia para que a criança desligasse.
Os extratos também registram pelo menos uma ligação para o Uruguai, outro paraíso fiscal. Ela aconteceu no dia 18 de junho de 2003, às 17h34. Durou apenas cinco minutos. O número discado é de um hotel na capital, Montevidéu. A funcionária que atendeu a ligação disse não poder informar quem estava hospedado lá naquele dia.
Em depoimento à Polícia Federal, o deputado José Janene (PR), líder da sigla, afirmou que o contador mantinha interlocução com Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Conforme Janene, foi Crepaldi que informou a cúpula do PP de que os recursos a serem transferidos ao partido pelo PT seriam pagos em espécie, e não por transferências bancárias.
O PP é um dos partidos da base aliada investigados pela CPI dos Correios. Segundo o empresário Marcos Valério, a sigla recebeu R$ 4,1 milhões de contas dele.
A CPI dos Correios, a Polícia Federal e o Ministério Público investigam possíveis remessas do PP para paraísos fiscais, como a Suíça. O alvo dos trabalhos é a corretora Bônus Banval, ligada a Janene.
À Polícia Federal, o deputado já admitiu que uma filha e uma secretária dele receberam recursos da corretora. Segundo o doleiro Antônio Carlos Claramunt, o Toninho da Barcelona, a Bônus Banval era a receptora, no País, de dinheiro movimentado por Valério no exterior. O empresário garantiu que parte do dinheiro destinado ao PP saiu da corretora. (Colaborou Jamil Chade)


