Sâo Paulo - Ontem, durante reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, para tratar da reforma ministerial, o presidente do Partido Progressista (PP), deputado Pedro Corrêa (PE), comunicou ao ministro a decisão de 90% dos deputados do partido de participar do governo, recebendo tratamento proporcional à dimensão da bancada. Na Câmara, a bancada do PP tem 51 deputados (maior do que a do PL e a do PC do B, partidos que têm ministérios). ''Queremos um tratamento igual ao dado aos outros'', disse, ao sair do encontro, que contou com a participação também do presidente do PT, José Genoíno, e do líder deste partido na Câmara, Pedro Henry (MT).
Corrêa informou que permanece em Brasília durante o recesso parlamentar, de plantão , à espera de uma resposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo Dirceu, é quem tomará a decisão. O presidente do PP disse esperar que o governo faça uma proposta ao partido.
O PP é mais conhecido pelos eleitores por lideranças como o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, atual presidente de honra da sigla, o deputado-federal Delfim Netto, primeiro vice-presidente, e o ex-governador de Santa Catarina Esperidião Amin. Se os nomes remontam ao regime militar (1964-1985), as raízes do PP também. O número 11, que o identifica eleitoralmente, remete à antiga Arena, partido criado em 1965 para dar sustentação aos governos militares. A partir de 1980, com a criação de novas legendas, a maior parte da Arena fundou o PDS (Partido Democrático Social) que, em 1993, se fundiu com o PDC (Partido Democrata Cristão), criando o PPR (Partido Progressista Reformador).
Com a atual configuração, existe desde 1995, quando o PPR se uniu ao PP, que originou o Partido Progressista Brasileiro (PPB). Em 2003, voltou a se chamar PP. O ex-ministro da Justiça do governo Collor, Jarbas Passarinho, por exemplo, é um dos que estão no PP desde a época da Arena. Passarinho, ex-militar e que também já foi senador e governador do Pará, foi ministro em três governos militares: ministro do Trabalho durante o governo Costa e Silva (1967-1969), da Educação durante o governo Médici (1969-1974) e da Previdência no governo Figueiredo (1979-1985).
É de sua autoria a famosa frase ''às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência'', ao votar a favor da decretação do Ato Institucional nº 5 que, em 1968, fechou o Congresso Nacional e inaugurou a fase mais dura da repressão. Assim como PMDB e PFL, o PP também participou da base de apoio do governo FHC.

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