PP anuncia independência em relação ao Planalto
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quinta-feira, 07 de abril de 2005
Fábio Zanini<br>Folhapress 
Brasília - Duas semanas após ter sido excluído da reforma ministerial do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PP decidiu ontem em convenção nacional declarar independência em relação ao Palácio do Planalto. O partido justificou a posição exatamente por não ter cargo no primeiro escalão do governo. ''Nós seremos da base aliada no que entendermos que seja possível votar, mas temos liberdade de votar contra, pois não estamos umbilicalmente ligados ao governo'', afirmou o líder do partido na Câmara, José Janene (PR). O PP está em uma fase de auto-afirmação política, após a inesperada eleição de Severino Cavalcanti (PE) para a Presidência da Câmara.
O ''efeito Severino'' - que não compareceu, já que está viajando para Roma - provoca o inchaço da legenda: três senadores e quatro deputados federais estão de malas prontas para entrar no PP. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi convidado para ingressar, com a promessa de ser candidato a presidente, mas ainda não respondeu.
A promessa de candidatura própria à sucessão de Lula deu a tônica nos discursos da convenção. O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf foi um dos que a defenderam: ''Só perde eleição quem não disputa. Quem disputa sempre ganha'', disse Maluf, para aplauso dos convencionais.
Reeleito para um novo mandato de dois anos à frente do partido, o deputado federal Pedro Corrêa (PE) lançou o nome de Severino para presidente. ''Queremos ter candidatos a governador em todos os Estados e até para presidente. Quem sabe o deputado Severino, com a popularidade que tem hoje, não será nosso candidato?'', afirmou.
Corrêa afirmou que o partido tem reclamado muito do corte das emendas que parlamentares do PP fizeram ao orçamento da União e que isso inevitavelmente o empurra para uma posição independente. ''Temos segmentos no partido de oposição e de governo. Hoje estamos independentes, amanhã podemos estar na base aliada ou na oposição. O futuro a Deus pertence'', disse. Corrêa foi reeleito apesar da opinião de deputados do Sul, que queriam passar o partido para a oposição.
O PT bem que tentou limitar a declaração de independência do PP, ciente de que isso deve aumentar ainda mais as dificuldades de compor uma base congressual. Sentado à mesa da convenção - a mesma em que havia sentado Maluf pouco antes -, o líder petista na Câmara, Paulo Rocha (PA), afirmou que o PP é um ''grande partido''. ''Fazemos votos de que possamos consolidar cada vez mais essa parceria (PT e PP), para que possamos desenvolver o país com distribuição de renda'', disse.
Principal líder do PP por vários anos, Maluf foi alvo ontem de uma moção apresentada pela ala jovem do PP pedindo seu afastamento da legenda. O motivo são as acusações de desvio de recursos públicos e a manutenção de contas no exterior.
''Entendemos que existe a necessidade de averiguação dos fatos contra Maluf, mas enquanto isso não acontece o PP não pode passar pelos constrangimentos que estão ocorrendo, sob forma de prejudicar consideravelmente os resultados eleitorais'', diz a moção, que não chegou a ser votada. Por meio de sua assessoria, Maluf respondeu: ''A democracia no nosso partido agradece o fogo amigo''.


