Povo é âncora do Plano Real, diz FHC
Presidente elogia, no quinto ano do plano, reação saudável dos brasileiros à crise, o que está impedindo volta da inflação
Adriana Fernandes
e Nelson Breve
Agência Estado
O presidente Fernando Henrique Cardoso, em seu discurso ontem sobre o quinto aniversário do Plano Real, afirmou que a verdadeira âncora do plano é o povo brasileiro. Ele disse que, neste aniversário, queria cumprimentar o povo brasileiro, que permitiu uma reação saudável à crise na economia para que não houvesse reindexação após a desvalorização do real. Segundo Fernando Henrique, hoje, seis meses depois da mudança cambial, os sinais de vitalidade da economia são extraordinários. E são reconhecidos, acrescentou.
Fernando Henrique contou que, durante a Cimeira do Rio, via-se claramente o reconhecimento implícito e explícito de todos os que acompanham a economia brasileira. Paramos a onda de crises sucessivas e conseguimos conter essas ameaças, afirmou.
FHC disse que a população foi capaz de não desanimar, e recordou que, após a desvalorização do real, a previsão era de uma queda de 6% no PIB em 1999 e que hoje, na pior das hipóteses, a redução será de menos 1% do PIB. Vamos fazer esforço para ter um resultado positivo em 1999, apelou. Na visão de Fernando Henrique, há um novo clima no País. E observou que as taxas de juros estão efetivamente caindo, de forma consecutiva.
O presidente destacou que neste ano a safra agrícola, de 81 milhões de toneladas de grãos, foi recorde. Disse que, agora, com o fim da ameaça de recessão, com a tendência de queda das taxas de juros e com os mecanismos estabelecidos pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda para monitorar a inflação, começa-se a criar as condições para o desenvolvimento sustentável do País. Essa inflação não vai voltar, porque estamos atentos para que ela não volte, afirmou.
FHC lembrou que, no seu governo, a cesta básica aumentou 14%, enquanto o salário mínimo aumento 110%. Disse que não apenas será mantida a estabilidade, mas também será promovido o desenvolvimento com atividades essenciais que visem a população. FHC citou as pequenas e microempresas, atividades que estão sendo realizadas pelos ministérios do Trabalho e da Agricultura, os programas especiais de atendimento ao pequeno agricultor, como o Pronaf, programas de incentivo ao turismo, o fundo de aval do BNDES para pequenas e microempresas.
O presidente disse que o limite máximo de faturamento para que as empresas sejam classificadas como pequenas ou micros será aumentado. Ele acrescentou que está em andamento também o programa de incentivo à exportação. Sem demagogia, só se aumenta a oferta de emprego visando essas teias de produção, declarou.
No discurso, FHC disse ainda que o governo quer a aprovação este ano da reforma tributária e da Lei de Responsabilidade Fiscal para que não haja mais precatórios sem fim, que terminam sempre por serem pagos pelo Tesouro e pelo contribuinte.
Num recado aos partidos, FHC disse que o governo não se sente prisioneiro de nenhum acordo político para chegar a esses objetivos: O governo não se sente prisioneiro de nada, a não ser dos interesses nacionais.





