Segunda maior cidade do Paraná, Londrina destoa das cinco mais populosas do Estado no Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF). O município atingiu índice de 0,7234 em 2011, um aumento de 0,9% em relação ao ano anterior. A capacidade de investimentos com recursos próprios foi o pior indicador.
A Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) dá atenção especial às cinco maiores cidades paranaenses por representarem 30,8% da população. As outras quatro estão entre as dez melhores colocadas no ranking estadual: Curitiba (4º), Maringá (1º), Ponta Grossa (9º) e Cascavel (10º). Londrina é a 25ª.
A capital é a segunda entre as capitais brasileiras, com IFGF 0,8073. Os destaques são a elevada receita própria, baixo gasto com pessoal e boa administração de restos a pagar (liquidez). "Na verdade, o resultado do IFGF Investimentos foi o único empecilho para que a capital paranaense obtivesse um resultado ainda melhor", afirma a análise da Firjan.
A capacidade de investimento com recursos próprios, aliás, entre as cinco maiores, só é considerado ótimo pela Firjan em Maringá, que obteve IFGF igual a 1 neste quesito. Ponta Grossa e Cascavel receberam conceito bom (0,7916 e 0,7641, respectivamente). Curitiba obteve IFGF Investimentos de 0,3284, abaixo inclusive ao de Londrina, que teve 0,3386.
Porém, diferentemente da capital, a administração municipal londrinense peca na gestão de juros e amortizações, que consomem os recursos junto com as contas e a folha de pagamento.
"A arrecadação que temos hoje só quita os custos da administração. Para investimento, é praticamente zero", afirma o atual secretário da Fazenda, Paulo Bento. Ele diz que, dos R$ 652 milhões previstos para recebimento em tributos este ano, devem entrar efetivamente no caixa R$ 606 milhões. Só a folha de pagamento custa cerca de R$ 450 milhões.
Para equilibrar o caixa, a prefeitura adotou contingenciamento de R$ 25 milhões de gastos, cortou horas extras e já protestou R$ 13 milhões em dívidas. Até o fim do ano, acredita que pode chegar a R$ 100 milhões em execuções.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná, Luiz Sorvos, acredita que os problemas passados nas administrações anteriores podem ter prejudicado investimentos na cidade. "Tanto o investidor perde interesse quanto o prefeito não vai atrás, porque usa seu tempo para se defender", diz.
Bento concorda com a declaração e afirma, ainda, que as políticas públicas passadas elevaram os custos da dívida e, consequentemente, os gastos. "É o resultado da administração dos últimos 30 anos. Faltou zelo", avalia. (L.F.W.)

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