Possibilidade de invasões causa tensão no MS
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quinta-feira, 01 de abril de 2010
João Naves de Oliveira<br>especial Agência Estado 
Campo Grande - A grande movimentação de sem-terra nos quase 50 acampamentos das regiões sul e leste de Mato Grosso do Sul (MS), está preocupando os produtores rurais do Estado. Desde a última quinzena de março, as barracas estão tomadas pelas famílias, o que não é comum. A observação é de entidades que representam os fazendeiros do MS, que temem as consequências de um ''abril vermelho'', conforme promete o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).
Somente o MST e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), estão com 15 mil famílias de sem-terra acampadas em barracas de lonas no MS. A Federação da Agricultura Familiar (FAF) e a CUT-Rural, estimaram em cerca de 2 mil famílias assentadas, ligadas as duas entidades, que garantem fazer parte do ''abril vermelho''.
Paulo César Farias, da FAF, explicou que a reforma agrária no MS, está parada. ''Desde o final do ano passado não há perspectivas de novos assentamentos. Os imóveis entregues aos sem-terra em 2009, ainda não têm infraestrutura. O pessoal armou barracas de lona plástica dentro das fazendas, e estão aguardando o governo liberar os créditos de habitação''. Ele acredita que o ''abril vermelho'' tenha como principal ação, pressão junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com várias movimentos, principalmente ocupação de fazendas.
Segundo informações de sindicatos rurais dos fazendeiros, no sul e no leste do MS, alguns ruralistas já entraram com pedido de interdito proibitório na justiça, visando garantir a não invasão das propriedades rurais pelos sem-terra.


