Posse vira palanque pró-união de poderes
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quarta-feira, 04 de março de 1998
Leandro Donatti 
Albari RosaUniãoCândido Martins discursa ao lado de Lerner: poderes devem trabalhar em harmoniaA posse dos novos secretários que integração a equipe do governador Jaime Lerner, ontem pela manhã, em Curitiba, virou um palanque em defesa da união dos três poderes no Paraná. Fomentados pelo novo secretário-chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, os presidentes do Tribunal de Justiça, Henrique Lenz César; da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL); e Lerner fizeram discursos voltados para a harmonia e o bom relacionamento entre o Judiciário, Legislativo e Executivo.
A Constituição reza e determina que os três poderes devem interagir harmonicamente. Hoje isso é uma realidade. Ontem não era porque havia aqueles que pregavam a cizânia e tinham vocação ditatorial para colocar o Executivo contra o Judiciário, o Legislativo sob o questionamento do Judiciário, e o Ministério Público subordinado à sua vontade, discursou Cândido Martins, numa referência velada ao ex-governador Roberto Requião (PMDB) que, durante a sua gestão, foi pivô de uma das mais graves crises políticas entre os poderes Executivo e Judiciário. Hoje, senhores deputados, juízes e prefeitos, vivemos em paz, emendou.
As declarações de Cândido Martins tiveram repercussão entre os representantes dos Poderes. O desembargador Henrique Lenz César disse que os poderes no Paraná vivem uma parceria permanente que procura cumprir as demandas e os anseios dos paranaenses. É inusitado, numa posse de secretários, o poder Judiciário estar presente. Estamos à vontade porque estamos unidos em plena atividade com o Executivo e o Legislativo, observou o presidente do Tribunal de Justiça.
Aníbal Khury lembrou a Lerner que sempre foi um crítico contumaz de todos os governadores do Paraná que passaram enquanto ele foi deputado, mas que a visão de estadista do governador rompeu a timidez paranaense. Os poderes vivem uma harmonia. Os políticos são imediatistas, mas os estadistas pensam no futuro, discursou. O presidente da Assembléia disse ainda que o Legislativo apóia incondicionalmente as políticas adotadas pelo governo do Estado. Temos adversários e muitas vezes as críticas são injustas. São Paulo está com inveja do Paraná, declarou o deputado, referindo-se ao vazamento dos incentivos fiscais dados por Lerner à montadora Renault, que gerou uma briga com o governo Mário Covas (PSDB).
Para o governador, a relação entre os poderes é a melhor possível. O homem tem de ter um sonho. Se é difícil realizar um sonho individual, imaginem um coletivo, em que a sociedade precisa assumir uma grande causa compartilhada. O período da raiva no Paraná acabou. Como se um homem pudesse se colocar acima das decisões da Justiça, declarou Lerner, numa nova referência a Requião. Este Estado hoje é de harmonia e é com isso que construiremos um novo estado. Não ficaremos mais atrás de ninguém, discursou o governador, dirigindo-se a Lenz César e Aníbal Khury.


