Brasília - Luiz Inácio Lula da Silva passou seus últimos minutos como presidente eleito em meio a uma multidão que não respeitou as barreiras policiais montada para proteger o Rolls-Royce em que ele percorreu a Esplanada dos Ministérios, em direção ao Congresso.
Foi um trajeto feito em 22 minutos, nos quais um Lula visivelmente emocionado acenou, bateu palmas e fez com os dedos gestos simbolizando o ''V'' (de ''vitória'') e o ''L'', inicial de seu nome e marca de sua campanha.
O presidente chegou à Esplanada pontualmente às 14h30, como previa o protocolo, acompanhado da mulher, Marisa. Ao sair do carro e se mostrar pela primeira vez às pessoas, foi bastante aplaudido.
Em uma via entre os prédios do Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Catedral de Brasília, onde estava estacionado o Rolls-Royce presidencial, Lula encontrou o vice-presidente, José Alencar, e o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que o aguardavam havia alguns minutos.
Lula e Alencar subiram no veículo às 14h33. Dirceu e Marisa seguiram em carros um pouco atrás. Já no início do percurso, o veículo presidencial foi cercado por algumas pessoas, retiradas pelas polícias Federal e Militar.
Em determinado momento, o motorista presidencial, Mário Paulino, ficou preso entre o regimento de cavalaria dos Dragões da Independência, que aguardava a passagem de Lula, à frente, e algumas pessoas, atrás. Teve de parar o carro por alguns segundos, esperando passagem livre.
Houve problemas durante todo o trajeto com o regimento de cavalaria. Vários dos animais se mostraram agressivos com a multidão, que rotineiramente furava o bloqueio e se aproximava de Lula. Alguns cavalos empinaram e um dos Dragões da Independência, que estava bem à frente do carro de Lula, chegou a cair. Sem ferimentos, ele se levantou e montou novamente.
Ao chegar à entrada do Congresso, houve o momento de maior tumulto. Pessoas cercaram o Rolls-Royce, e o professor Pedro Ângelo da Silva de Lima, 24, coordenador da Juventude Petista em Juquitiba (SP), conseguiu subir no carro de Lula para tirar uma foto com ele. Puxou para baixo o presidente, que, sorrindo, agachou-se e abraçou o homem. A segurança agiu rápido e retirou o invasor do local.
À medida que Lula se aproximava da rampa do Congresso, milhares de pessoas invadiram o gramado situado em frente. Algumas que corriam no terreno, que é inclinado, caíram no chão, mas ninguém se feriu.
Na hora da transmissão da faixa, houve um incidente. Os óculos de FHC caíram quando ele retirava a faixa presidencial. Lula abaixou-se para pegá-los.
Em seguida, o hino nacional foi tocado. No Parlatório, ao lado de Lula e FHC, havia uma intérprete de sinais para surdos, que ''transmitiu'' o hino simultaneamente. O presidente do Uruguai, Jorge Battle, assobiou o hino durante a execução.
Terminado o hino, Lula acenou para autoridades internacionais localizadas em uma área restrita ao lado do Parlatório. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, respondeu ao aceno juntando as duas mãos em posição de prece.

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