Porto sai da Agricultura e critica FHC
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sábado, 04 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaExcluídoArlindo Porto: Eu não comungo com esta idéia de que para participar de um governo tem que negociar cargos Depois de uma hora e 15 minutos de conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio da Alvorada, o ministro da Agricultura, Arlindo Porto (PTB-MG), deixou anteontem seu posto criticando o governo e a guerra pelos cargos travada entre os partidos da base aliada. Arlindo Porto não aceitou ser remanejado do Ministério da Agricultura para o do Trabalho, cargo que lhe foi oferecido pelo presidente. Para a Agricultura, Fernando Henrique vai nomear o gaúcho Francisco Turra (PPB) e definirá amanhã o próximo ministro do Trabalho. Os petebistas esperam herdar o cargo, mas esse Ministério passou a pertencer a cota pessoal de Fernando Henrique, que não deve adotar critérios partidários para preencher o posto.
Com a saída do Ministério, Porto volta a ocupar sua vaga de senador. Desgastado por perder o Ministério da Agricultura, Porto acabou desabafando contra a briga entre os partidos: Esse fisiologismo tem de acabar, atacou Porto. Eu não participo desse fisiologismo e por isso deixo o Ministério.
O ex-ministro da Agricultura estranhou o fato de o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), seu subordinado, Francisco Turra, assumir seu lugar. Nos últimos 60 dias ele vinha pedindo exoneração do cargo porque ia disputar uma vaga de deputado no seu Estado, contou. Se mudou de idéia, certamente dará sua contribuição ao governo.
Apesar disso, Porto afirmou que continua intransigentemente apoiando o presidente da República e que não vê motivos para o PTB romper com o governo. Arlindo Porto disse que não aceitou o Ministério do Trabalho porque não tem afinidades com a pasta. Segundo ele, antes de embarcar para uma viagem de dez dias a Austrália, o presidente lhe ofereceu o Ministério do Trabalho, justificando que precisava fazer um ajuste na bancada de apoio ao governo.
Arlindo Porto nega que estivesse sendo fritado ou que saia com qualquer mágoa do presidente. Durante o encontro com Fernando Henrique, Arlindo Porto entregou sua carta de demissão. Ele garantiu que foi ao Alvorada sem adiantar a ninguém a sua decisão, nem mesmo aos seus colegas de partido. Segundo Porto, o presidente não lhe disse quem será seu substituto e nem se o Ministério ficará com o partido. Porto chegou ao Alvorada com o novo ministro do Planejamento e seu colega de partido, Paulo Paiva.
O ex-ministro disse que não é político carreirista e por isso condenava o que chamou de mesquinharia com cargos. Eu, pessoalmente, não comungo com esta idéia de que para participar de um governo tem que negociar cargos. Eu não trabalho com esse tipo de político. Eu sou um homem público e tenho uma visão um pouco diferente. E legitimo o pleito, mas eu não concordo. Se alguém quer continuar a pleitear, que continue, eu respeito, mas não entendo que para apoiar o governo, tem que estar fazendo parte do governo e ocupando cargo. O ex-ministro disse que não indicou ninguém para substitui-lo. Não vejo necessidade de rompimento, afirmou ele, acrescentando que o PTB participa do governo desde a campanha.
O governo deve anunciar Turra na Agricultura e o próximo ministro do Trabalho amanhã. Os novos ministros da Agricultura e do Trabalho só serão anunciados oficialmente pelo presidente nesta segunda-feira, informou a assessoria da Presidência. Os assessores do presidente ressaltaram ainda que vazamentos de nomes de eventuais ministros que surgirem no final de semana não devem ser considerados. A confirmação oficial só na segunda, insistiu a assessoria de imprensa. O Planalto informou ainda que Porto foi ao Palácio da Alvorada entregar seu pedido de demissão acompanhado pelo colega de partido e o novo ministro do Planejamento, Paulo Paiva. O ministro Paiva também apresentou argumentos para que Porto permanecesse no governo, contou um assessor. Paiva era o ministro do Trabalho e foi transferido por Fernando Henrique para o Planejamento.


