O clima em frente ao Fórum de Londrina, ontem durante toda a tarde, foi de apreensão. O prefeito afastado Antônio Belinati (PFL) tinha declarado à imprensa, no dia anterior, que estaria à disposião dos oficiais de Justiça para ser notificado a partir das 16h30. A própria assessoria do prefeito tratou de alimentar essa expectativa, dizendo que ‘‘a qualquer momento’’ poderia avisar sobre o paradeiro de Belinati.
A informação levou profissionais de praticamente todos os veículos de comunicação de Londrina e região para a Praça dos Três Poderes, onde fica a prefeitura, Fórum e Câmara dos Vereadores. Para lá também foram os integrantes do Movimento pela Moralização na Administração Pública, servidores municipais e curiosos.
Os oficiais de Justiça, que tentavam intimá-lo sobre o afastamento, também mantiveram a expectativa de, a qualquer momento, cumprir o mandado. Teve até um manifestante solitário, pró-Belinati, que compareceu ao local com uma cruz nos braços. O circo que se formou em frente ao Fórum chamou a atenção de alguns juízes e promotores, que deixaram seus gabinetes para observar a movimentação.
Mas o prefeito, mais uma vez, não cumpriu a promessa, o que causou revolta em muita gente. ‘‘Isso é debochar da Justiça. O prefeito afastado mente a todo momento, usando fitas editadas, dizendo que estará em um lugar e não comparecendo. Onde está a fé pública?’’, revoltou-se o advogado Carlos Roberto Scalassara, integrante do Movimento pela Moralização.
O advogado lembrou que na sexta-feira da semana passada, logo após ser divulgada a decisão do juiz da 8ª Cível, determinando seu afastamento do cargo, Belinati já havia prometido receber a notificação na segunda-feira seguinte. Mas continuou sumido. ‘‘Definitivamente, ele não tem mais moral para conduzir a cidade’’, completou Scalassara.
A revolta, no entanto, não estragou a festa formada na Praça dos Três Poderes logo após a confirmação de que o prefeito estava afastado. Os integrantes do Movimento pela Moralização queimaram fogos de artifício, durante quatro minutos e não faltaram abraços emocionados. ‘‘Que não volte mais’’, disse um manifestante anônimo, comentando sobre a saída de Belinati. (L.H.)

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