Porta-voz admite que governo pode discutir
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Léo Gerchmann Agência Folha 
O porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral, afirmou ontem, em Porto Alegre, que o governo federal pode eventualmente discutir questões da Lei Kandir e reexaminar antecipação de receitas de privatizações na reunião com os governadores de opositores, marcada para o próximo dia 9, em Brasília. Amaral deixou claro, porém, que o governo federal descarta renegociar dívidas estaduais.
Amaral disse que isso seria como jogar fora o sacrifício da população. Não adianta discutir a questão de uma nova revisão nos acordos relativos à dívida porque, simplesmente, o governo federal não tem condições de fazer isso. O custo fiscal invalidaria todo o esforço que está sendo feito pelo País. Seria jogar todo o esforço do povo brasileiro pelo ralo, afirmou o porta-voz.
O embaixador (Amaral) usou expressões de diálogo, embora não uma proposta de diálogo. É inaceitável a diferença entre suas palavras e a ação do governo, que retaliou o Rio Grande do Sul a partir de uma informação não verdadeira dada a organismos internacionais, disse o secretário da Fazenda gaúcho, Arno Augustin. A renegociação da dívida é uma imposição da vida real devido à situação dos Estados, afirmou, referindo-se ao fato de não abrir mão dessa discussão.
Amaral esteve em Porto Alegre para uma reunião-almoço na Fiergs (Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul) e, ao deixar a sede da entidade, encontrou-se com o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT) no Palácio Piratini.
A reunião durou 30 minutos e, nela, Olívio falou sobre a situação do Estado, pedindo que a conversa fosse repassada ao presidente Fernando Henrique. Este foi o primeiro encontro de Olívio com uma autoridade do governo federal desde que assumiu.
Aos empresários, Amaral afirmou que o governo não repassará a desvalorização cambial para os serviços públicos, podendo até mesmo diminuir os preços. Disse, também, que o Brasil entrará em um surto exportador, invertendo a balança comercial de um déficit de US$ 6 bilhões para um superávit de US$ 6 bilhões.


