A venda do Porsche preto 911 Turbo, ano e modelo 1996, placa EQA 8888, de Barueri, na Grande São Paulo, no dia 1º, no valor de R$ 130 mil, pode ser uma das principais pistas que o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) têm para chegar ao esquema que financiou a rendição do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, há exatamente uma semana.
Segundo informações obtidas pela Agência Estado, o dinheiro que financiou a vinda de Nicolau a São Paulo teria sido conseguido por meio da venda do Porsche. O primeiro dono do carro foi Carlos de Moraes Sarmento, empresário da capital, e que foi sócio das filhas de Nicolau Maria Virgínia Bairão dos Santos e Maria Cristina Bairão dos Santos na franquia ‘‘The Dent Wizard’’ (‘‘O Mágico Amassado’’), especializada em veículos importados.
De acordo com registros do Detran, Sarmento permaneceu como proprietário até o início deste mês. O curioso é que, no dia 1º, o Porsche foi vendido para Diogo Rogério Xavier da Silveira Talocchi e, depois, repassado para a empresa Pontiplat Rent a Car. Segundo registro no Detran, o recibo de compra do carro pela Pontiplat – no valor de R$ 130 mil – foi assinado por Renê Castagnaro e Dario José de Oliveira.
As investigações que estão sendo feitas indicam, inicialmente, que os atuais proprietários do Porsche podem ter ligação com o escritório de advocacia contratado por Nicolau para o defender no processo em que é acusado de sonegação fiscal. O MPF trabalha também com a hipótese de o verdadeiro dono do Porsche ser o ex-foragido juiz.
O ex-juiz Lalau, em depoimento que prestou à Justiça Federal em abril, declarou ter sido proprietário de um Porsche. O Ministério Público Federal acredita que Sarmento pode ter registrado o veículo em nome dele, a pedido do ex-presidente do TRT-SP, para que o bem não fosse bloqueado pela Justiça.

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