Imagem ilustrativa da imagem Por Previdência, Temer e presidentes de partidos acertam reunião na quarta-feira
| Foto: Alan Santos/PR



No primeiro dos dois encontros que fez neste domingo (3) o presidente Michel Temer já deixou acertado que fará uma nova reunião na quarta-feira, 6, à noite com presidentes de partidos e líderes da base, novamente no Alvorada, para uma avaliação melhor se será possível ou não colocar a reforma da previdência em votação na semana do dia 11.

Participaram do almoço deste domingo no Alvorada os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral), Maurício Quintella (Transportes), Marcos Pereira (Indústria e Comércio), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia). Além disso, estiveram presentes o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

No almoço, além da reforma da Previdência, as conversas sobre cenário eleitoral e de alianças para 2018 também fizeram parte do cardápio.

Esforço

Mais tarde, Temer, ministros e um grupo maior de aliados se encontram novamente na casa de Rodrigo Maia para "aferição" e diagnóstico da base aliada. O governo quer investir nesta semana em articulações e fazer um "pente-fino" para atender demandas e tentar angariar os 308 votos necessários para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição.

Mesmo diante das evidências cada mais claras em torno da dificuldade de aprovação da reforma da Previdência ainda este ano, auxiliares do presidente dizem que o governo não tem razões para jogar a toalha e que vai continuar empenhado para conseguir os 308 votos para que a proposta avance ainda em 2017.

O calendário curto é o principal adversário e o objetivo é votar o texto, "pelo menos" o primeiro turno, até o dia 13 de dezembro. A depender do resultado, o governo vai intensificar as negociações "com todas as forças" para a matéria ser votada no segundo turno até o dia 20.

Auxiliares do presidente reconhecem a dificuldade em conseguir votos, mas reiteram que o governo vai investir o máximo de energia nas articulações das próximas duas semanas. O discurso do Planalto da necessidade da reforma tem sido repassado aos parlamentares neste trabalho de convencimento.

Conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, sem a aprovação da reforma da Previdência, as áreas de Saúde e Educação deixarão de receber recursos, gradativamente, nos próximos anos. A estimativa é que em 2028 o governo não terá mais como pagar os gastos de custeio nem fazer investimentos nessas áreas. Em 18 anos, haverá dificuldade até para honrar os benefícios do INSS e de assistência social, o chamado BPC. As despesas não caberão mais dentro do limite máximo de gastos do governo federal, o chamado teto, previsto na Constituição Federal.

Esse quadro dramático foi apresentado em tabelas entregues a parlamentares pelo presidente Michel Temer e ministros para defender a votação da PEC ainda este ano. Os números mostram o que acontece com os gastos públicos em dois cenários até 2036: com e sem reforma.

No cenário sem a reforma, só caberão dentro do limite do "teto" os gastos com Previdência e assistência, os salários do funcionalismo e uma parte dos gastos com abono e seguro-desemprego. O levantamento mostra que outras despesas, como o custeio de Saúde e Educação, precisariam ficar de fora dos gastos do governo, o que é uma hipótese impensável.

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