Por fôlego financeiro, Cohab propõe anistia a devedores
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quinta-feira, 03 de setembro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
A Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina corre atrás de 3,7 mil mutuários que têm prestações atrasadas para que regularizem toda ou parte de sua situação, numa tentativa de obter fôlego contra deficits mensais de R$ 200 mil. Para receber parte destes valores, a companhia oferece o abatimento de juros de mora até dezembro deste ano, mas os descontos são maiores para quem chegar primeiro.
A Cohab publicou, no último dia 1º, resolução para conceder descontos sobre juros moratórios de parcelas vencidas para regularização à vista. Os descontos são de 100% para pagamentos em setembro; 90% para outubro, 80% para novembro e 70% para dezembro. "Pode-se fazer a regularização de quantas parcelas puder, com um mínimo de cinco", explica o presidente da Cohab, José Roberto Hoffmann.
Juntos, os 3,7 mil devedores provocam um rombo de R$ 73 milhões nas contas da companhia e representam cerca de 41% dos 9 mil mutuários com contratos ativos. Porém, de acordo com Hoffmann, se todos os juros fossem perdoados, o desconto chegaria a R$ 29 milhões. A justificativa dele para a adoção da anistia é o aumento da inadimplência e a situação econômica do país.
A parcela média dos mutuários fica, em sua maioria, entre R$ 100 e R$ 400. O presidente diz que é uma ótima oportunidade para quem tiver recursos sobrando no momento, como recebimento de parcela do 13º salário ou bônus de fim de ano. Além disso, afirma, estes mutuários teriam melhores condições para renovar as condições contratuais. São abrangidos pela resolução os empreendimentos de Londrina, Cambé e Arapongas.
A Cohab espera receber apenas 10% dos cerca de R$ 44 milhões que sobrariam em caso de descontos de juros. De acordo com Hoffmann, os R$ 4 milhões supririam os deficits mensais de R$ 200 mil o orçamento da companhia é de R$ 2 milhões por mês, dos quais R$ 1 milhão para pagamentos de dívidas. "Mas, se tudo fosse pago, poderíamos retomar os investimentos", argumenta.
Em 2013, a companhia promoveu um programa de demissão voluntária justamente para reduzir os custos em R$ 200 mil, mas Hoffmann argumenta que novos acordos em relação a dívidas contraídas em administrações passadas, além do aumento da folha de pagamento e dos custos com água e energia elétrica, por exemplo, desequilibraram novamente a balança.


