O prefeito de Apucanara (Norte), Beto Preto (PT), está reclamando por ter que assumir uma dívida de R$ 3,1 milhões gerada por falta de pagamento do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). O problema, segundo ele, teria começado na gestão do ex-prefeito Valter Pegorer (PMDB). Segundo a assessoria de imprensa, desde o início do mandato do petista a prefeitura recebeu três multas por falta de recolhimento do FGTS por seus antecessores, e agora ''foi surpreendida'' com a notícia de que terá que pagar também a dívida do Pasep.
''Assumi depois de um grupo político que vinha administrando o município há 12 anos e escondendo informações da população. Era uma balbúrdia administrativa. Devemos entrar com uma ação na Justiça na próxima semana porque isso era descontado dos funcionários, então por que o Pasep e o FGTS não foram repassados? Onde foi parar o dinheiro?'', atacou o prefeito Beto Preto em entrevista à FOLHA. Uma ação judicial já foi proposta pela atual administração contra o ex-prefeito Pegorer pela falta de recolhimento do FGTS dos servidores.
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Apucarana, o município vai parcelar a dívida do Pasep em 20 anos, aproveitando a Medida Provisória 589, sancionada recentemente pela presidente Dilma Rousseff (PT). Serão 240 parcelas com valor inicial de R$ 13,2 mil. ''A primeira parcela já foi recolhida no dia 29 em favor da Receita Federal'', informou em nota o procurador jurídico do município, Paulo Sérgio Vital.
Procurado pela reportagem, o ex-prefeito negou que tenha iniciado a dívida do Pasep ou do FGTS, e rebateu a acusação defendendo que Beto Preto tem insegurança política. ''O atual prefeito tem tido uma postura de administrar por escândalos. Isso revela ineficiência, despreparo. Ele teme que eu entre em uma disputa política com ele nas próximas eleições e por isso fica me atacando'', afirmou.
Sobre a dívida, o ex-prefeito afirmou que ''não lembra'' do valor, nem soube dar detalhes sobre o assunto, mas garantiu que ''a dívida é histórica''. Pegorer foi prefeito de Apucarana por três mandatos, de 1993 a 1996, 2001 a 2004 e 2004 a 2008. ''O ideal seria que não houvesse dívida nenhuma, mas quando assumi das duas vezes elas já existiam, e eu reparcelei, paguei durante meus três mandatos e nunca desabonei nenhum antecessor.'' Pegorer defendeu que entregou todas as certidões negativas do município regulares ao sucessor, prefeito João Carlos de Oliveira (PMDB). ''Eu quero que a atual administração entre na Justiça mesmo porque vou provar que as dívidas já existiam. Estou muito sereno quanto a isso'', finalizou.

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