Por data-base, servidores planejam grande mobilização no 29 de abril
Representantes do funcionalismo devem ser recebidos pelo governador na data marcada pela “batalha no Centro Cívico” de 2015
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sábado, 27 de abril de 2019
Representantes do funcionalismo devem ser recebidos pelo governador na data marcada pela “batalha no Centro Cívico” de 2015
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 

Curitiba – Servidores públicos estaduais do Paraná realizam nessa segunda-feira (29), a partir das 8h30, uma série de atos para pressionar o governo Ratinho Junior (PSD) a conceder a data-base do funcionalismo, “congelada” há três anos. De acordo com a professora Marlei Fernandes, membro da coordenação do FES (Fórum das Entidades Sindicais), a expectativa é reunir mais de 100 mil pessoas em diversos municípios, tornando a mobilização a maior desde 2015.
Naquele ano, o momento mais emblemático de uma greve histórica de docentes e funcionários de escola culminou com a “Batalha” ou o “Massacre” do Centro Cívico. O episódio em frente à AL (Assembleia Legislativa) deixou em torno de 200 trabalhadores feridos. Eles foram reprimidos pela PM (Polícia Militar) - que usou balas de borracha, cães da raça pit bull e gás lacrimogêneo - enquanto protestavam contra a reforma da previdência estadual da gestão Beto Richa (PSDB). Desta vez, porém, nenhuma das partes diz esperar qualquer conflito.
A maior concentração de pessoas deve ocorrer em Curitiba, num protesto unificado, previsto para começar às 9 horas, na Praça Santos Andrade. Os participantes seguirão na sequência em caminhada até o Palácio Iguaçu, onde lideranças sindicais serão recebidas por integrantes do governo, às 11h. “Todas as categorias vão paralisar suas atividades [por 24 horas] e estar na luta de alguma forma”, conta Fernandes. “Esperamos que tudo seja dentro do diálogo e equilibrado. Tanto é verdade que vamos receber a comitiva”, diz o líder da situação na AL, Hussein Bakri.
Os atos também vão ocorrer em Maringá, (às 9h, em frente ao INSS, no centro); Cascavel, (às 9h, na APP-Sindicato); e em Foz da Iguaçu, (às 8h, na Praça da Paz, no centro). Já em Londrina a opção foi por não realizar uma mobilização própria. “Vamos encaminhar os companheiros para o ato unificado em Curitiba. Estamos estimando, ainda recebendo inscrições e fechando a lista, mas devem ser dois ônibus”, relata o presidente da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação) na cidade, Márcio André Ribeiro.
REIVINDICAÇÃO
A APP cita dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) segundo os quais a defasagem salarial das diferentes categorias já estaria em 17,02%. O economista Cid Cordeiro, que atua na entidade, afirma que o Estado está deixando de pagar aos trabalhadores o equivalente a dois meses de salário por ano. O Sindicato argumenta que a reposição atende todos os requisitos exigidos na legislação, em especial o superávit de R$ 2,2 bilhões no caixa do governo, registrado ao final de 2018.
Nas últimas semanas, o governador chegou a dizer que seria “muito difícil” pagar a dívida ainda neste ano. A LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2020 foi encaminhada ao Legislativo sem essa previsão. Por enquanto, porém, a negociação segue em aberto e não há nada oficial.
O que se comenta nos bastidores da Assembleia é que poderia haver uma “troca” pela extinção da licença-prêmio, que consome boa parte do orçamento. Os funcionários públicos estaduais têm direito a três meses de licença remunerada a cada cinco anos trabalhados. Quando não usufruem do benefício, eles podem receber o equivalente em dinheiro. O problema é que a dívida do Executivo com essas licenças atualmente chega a R$ 1 bilhão.
“Queremos abrir uma negociação. Entendemos que o governo tem condição de fazer o reajuste. Não vamos criar nenhum problema para o Estado com isso. É uma pauta que viabiliza a economia do Paraná. Todos os servidores utilizam seus salários na economia interna. Temos vários argumentos e condições de debater”, defende a coordenadora do FES.
“Tem um passivo para trás da data-base e a discussão para frente. O governo quer colocar tudo isso numa pauta só. Agora, não dá para dissociar a pauta da data-base do pagamento de licença-prêmio, de pagamento das progressões e promoções, e da discussão da hora-aula, que vai impactar seis mil professores. É um processo todo, porque o caixa é um só. Mas o governo está disposto a dialogar e avançar, ver o que pode ser feito”, completa Bakri.


