Curitiba – Depois do impasse envolvendo o reajuste para servidores do Executivo, a Assembleia Legislativa (AL) do Paraná vota hoje, de uma só vez, os índices para funcionários do Tribunal de Justiça (TJ), Ministério Público (MP), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Defensoria Pública, e do próprio quadro. Entretanto, somente os servidores do Legislativo não terão reposição integral da inflação de 8,17%. Para os funcionários da Casa, o reajuste será de 3,45%.
A justificativa apresentada pelos deputados da base aliada do governo, e que defenderam a proposta, é de que os parlamentares deveriam "dar o exemplo", seguindo o mesmo índice aprovado para os funcionários do Executivo, mesmo tendo dinheiro em caixa para conceder os 8,17%. O projeto prevendo os 3,45% teve parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na tarde de ontem. Votaram contra a proposta os deputados Péricles de Mello (PT), Gilson de Souza (PSC) e Pastor Edson Praczyk (PRB), mas a maioria saiu vencedora.
Além dos 3,45% em outubro, a proposta também prevê o pagamento da inflação de 2015 em janeiro de 2016, e a de 2016 em janeiro de 2017, acrescida de 1% de aumento real. Já para os servidores dos demais Poderes, os deputados devem aprovar a reposição dos 8,17%, a serem pagos no mês que vêm, retroativamente a 1.º de maio, como reivindicavam os servidores do Executivo durante a greve.
"A Assembleia tem que ser coerente com aquilo que votou para o servidor público do Executivo. Aprovar os 3,45% para os funcionários do Legislativo é fundamental para que as decisões da Casa possam ser respeitadas por todos", frisou o líder do governo, Luiz Claudio Romanelli (PMDB).
O presidente da AL, deputado Ademar Traiano (PSDB) confirmou que a Casa teria sim dinheiro para conceder os 8,17%. "Tanto que até vamos devolver dinheiro para o governo, mas é uma questão de bom senso. Foi fruto de uma construção de entendimento com a maioria dos deputados", afirmou.
Sem conseguir as 28 assinaturas necessárias para apresentar uma emenda ao projeto de lei que trata do reajuste para os trabalhadores da Assembleia, a bancada de oposição confirmou ontem que vai votar contra o índice de 3,45% em primeira discussão. "Nós da oposição vamos votar pelos 8,17%. Entendemos que assim como fizemos com os projetos dos outros poderes, não há por que votarmos 3,45%", disse Tadeu Veneri (PT), líder oposicionista na Casa.
Apenas 12 parlamentares assinaram o documento. Veneri criticou a postura "indecisa" de alguns colegas que não concordaram em assinar o requerimento para que uma emenda pudesse ser protocolada. "Nós não obtivemos as assinaturas necessárias para apresentar uma emenda porque muitos deputados dizem que votam a favor, mas não assinam. Mas ai não há como, não será Deus que vai assinar. Ou os deputados assinam e assumem ou não. Desta forma não tivemos assinaturas suficientes", apontou.

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